6 Coisas que Eu Amo & Odeio Sobre Priscila, a Rainha do Deserto

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Existe algum filme queer melhor que Priscila, a Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert)? (Spoiler: não, não existe, e nunca vai existir.) É escrachadamente divertido, tocante, tem apelo ao grande público sem ser sem graça, e é super reassistível.

Porém, por mais mágico que seja, o filme tem as suas falhas. Seus charmes são suficientes para compensar seus erros? Assim como fizemos com seu primo americano Para Wong Foo, Obrigado Por Tudo! Julie Newmar (To Wong Foo, Thanks For Everything! Julie Newmar), vamos fazer um imersão no que faz Priscila funcionar tão bem, e então examinar seus erros da maneira mais delicada possível.

O Bom

1. Drag para Iniciante

Se você assiste o filme sem saber nada sobre drag — assim como eu, um adolescente confuso nos anos 90 — você não podia conseguir um professor melhor. Claro, não é um retrato completamente preciso (poucas drags podem comprar tantas perucas elaboradas) mas a interpretação carinhosa do filme de drags deixa claro instantaneamente porque é uma forma de arte tão vital.

E meu Deus, a música desse filme. Mesmo quando é apenas uma leve referência sem a música em si, como quando alguém simplesmente diz “Bernadette deixou o bolo na chuva,” o filme é uma grande placa de sinalização para a música que conecta as pessoas queer.

2. O Companheirismo

Como todas as subculturas, os gays podem maliciosamente se virar um contra o outro. Porém os gays nesse filme desfrutam de um companheirismo que, na maior parte, é estável e saudável e admirável. Eles se apoiam durante as dificuldades, e apesar de brigarem as vezes, eles são capazes de perdoar.

3. A Criança

Hugo Weaving faz um trabalho incrível em capturar a vergonha e ansiedade de um jovem gay com medo de se assumir. Mas o filme tem uma inversão impressionante: ao invés de uma criança se assumir para os pais, ele é um pai se assumindo para o filho. Depois de passar de um lado ao outro da Austrália se preocupando com a reação de seu filho, quando o filho finalmente o aceita é muito lindo. O filme consegue inovar com sua história de sair do armário antes desse tipo de história se tornar batida, e muito antes de ser explorada exaustivamente por Glee.

Terence Stamp as the kick-ass trans drag queen in "The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert"
Terence Stamp como a trans maravilhosa que é drag queen em Priscila, a Rainha do Deserto

O Ruim

1. A Esposa

Aff. Essa caricatura é uma enorme marca de vergonha em um belo filme. A esposa do Bob é retratada tão cheia de estereótipos que ela parece que ter vindo de outra história — inclusive de outra década. Na verdade, as mulheres em geral recebem pouca atenção no filme; apesar de Bernadette ser um personagem principal, ela quase nunca tem a oportunidade de interagir com outras mulheres.

2. O Nome de Batismo de Bernadette

Antigamente, não era “nada demais” se referir a uma pessoa trans pelo seu nome de batismo — apesar de ofensivo, poucas pessoas tinham consciência do dano que estavam causando ao ligar as pessoas trans às identidades que elas deixaram para trás. E o fato de isso ser usado pelo filme como uma piada é inaceitável.

3. O Filme Que Quase Foi

Apesar do filme no geral ser ótimo, quase foi algo bem diferente. Os produtores procuraram vários atores para interpretar Bernadette antes de darem o papel para Terrence Stamp. Imagina se eles tivessem continuado com a primeira opção, Tony Randall — ele teria sido um grande ladrão de cena em vez de subestimado e cansado da vida. A segunda opção deles, John Cleese, teria sido fascinante… mas com certeza não seria bom. Priscila é um filme maravilhoso com alguns closes errados — ainda bem que não tentaram compensa-los com um elenco de comédia.