Freiras Drags Salvam Dallas: Minha Noite Com As “Irmãs Da Perpétua Indulgência”

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A Irmã Devlynn Redd e o autor após o show Sleigh Ride in Leather.

A Irmã Devlynn Redd sabe que ela não é uma freira que faz biscoitinhos. Ela está no pátio dos fundos do Dallas Eagle (um bar de couro local) — o rosto inteiro dela está coberto por pancake branco com sombra de olhos vermelho-sangue e batom com glitter vermelho.

Ela com certeza não se parece com as freiras que se encaixam confortavelmente no imaginário popular. Você sabe, as conservadoras em hábitos que mostram o mínimo possível de pele, as que aparecem em filmes como A Noviça Rebelde. Devlynn veste uma saia preta e azul-meia-noite, colada, na altura dos joelhos, meia-calça rendada preta e um diadema preto com lantejoulas com um véu preto caindo elegantemente pelas suas costas.

Ela pega um cigarro da sua bolsa, da um pulo miraculosamente perfeito no salto alto e grita, “Minhas tetas estão congelando!”

É uma noite de novembro chuvosa, fria, cinza-nicotina-e-carvão em Dallas, e a Irmã Devlynn e as outras freiras da sua casa (a Abbey of the Lone Star (Abadia da Estrela Solitária)), se manifestaram — o que significa aparecer com roupas e maquiagens semelhantes — em massa. Elas flutuam sobre o bar: os hábitos pretos delas e as pernas com meia-calça se perdem com as sombras do chão enquanto suas distintas caras brancas e véus cintilantes brilham em direção à luz acima. Elas deslizam sobre a escuridão.

Uma colega freira, a Irmã Lawna Jocqui, enfeitou a sua cara branca com contornos, sombra e batom verde-ácido e preto. Ela vai apresentar o evento dessa noite (“Sleigh Ride in Leather” [Passeio de Trenó Usando Couro]) com a participação de um lineup de drag queens que dublam e go-go boys vestidos com couro se exibindo. As irmãs vão doar os rendimentos do evento para o DFW Leather Knights, que por sua vez vai doá-los para o AIDS Services of Dallas, um grupo que compra comida e suplementos médicos para pessoas com AIDS vivendo na metroplex local.

Revelação: a Irmã Lawna me vestiu em uma cueca amarelo vara-de-ouro com detalhes brancos, a parte de cima preta e branca, um arreio de couro preto, muitos colares pratas e dourados e um chapéu preto e dourado Boy London. Ela vai leiloar a cueca em mim como parte da angariação de fundos do evento.

Ok, ok… todas as roupas exceto a cueca pertencem a mim. Eu cheguei com elas, totalmente preparado para participar para que eu pudesse observar as irmãs mais de perto — essa noite foi a primeira vez que as encontrei formalmente. A Irmã Lawna me fez escolher a cueca de um estoque que ela tinha com ela.

Quando entrei no camarim para me trocar para minha roupa de go-go, uma drag queen se preparando para a sua própria performance me olhou de cima a baixo, pegou um anel peniano da bolsa dela e me deu. “Use isso e você vai conseguir mais dinheiro,” disse ela antes de esconder o seu pau no meio da sua bunda.

Iluminada pelo holofote, a Irmã Lawna começa o show — o hábito preto dela enfeitado com strass e as penas verdes do boá que combinam com a sua maquiagem; eles iluminam e brilham conforme eles contornam o seu diadema. Do lado de fora, a Irmã Devlynn joga o cigarro, pisa nele para apagar e então entra para assistir.

Por dois anos, tanto Devlynn Redd quanto Lawna Jocqui serviram como membros da associação nacional The Sisters of Perpetual Indulgence (SoPI) [As Irmãs da Perpetua Indulgência]. A casa delas, a Abbey of the Lone Star, é uma organização sem fins lucrativos registrada e plenamente professada casa das SoPI desde 2011.

Toda semana, elas e suas colegas freiras se manifestam em eventos beneficentes de atuações variadas e eventos de conscientização como esse.

A Irmã Devlynn se juntou à Abbey depois de um ataque suicida causado pela depressão. Uma excluída autoproclamada, ela sentia como se não pertencesse a nenhuma comunidade. Almejando uma conexão humana mais profunda e um propósito, ela perdeu as esperanças. Mas então, diz ela, “Eu cheguei no ponto em que eu estava tipo, eu não quero [suicídio]. Eu não quero isso para mim e eu não quero isso para outros.”

Ela continua enquanto dá um gole na sua bebida (uma Diet Coke) e dá um trago no Parliament que eu acendi e dei para ela: “Eu sou uma aberração. E eu amo isso. E é por isso que eu estou aqui.” Então ela recita parte dos votos que ela fez para se tornar uma freira plenamente professa, adicionando ao seu próprio manifesto pessoal: “Eu estou aqui para promulgar a alegria universal, expiar a culpa estigmática e servir à comunidade. Eu estou aqui para as crianças que não tem uma cena, as crianças que são fora do comum. Minha mensagem para eles é ame a você mesmo e curta você mesmo e se divirta.”

De fato, a Irmã Devlynn e suas colegas freiras estão mostrando para o público como se divertir. Todos os olhos assistindo as performers dublando músicas de Natal enquanto tiram a roupa e contam piadas de mau gosto (“Meu Papai Noel usa fio dental e carrega um chicote!”). A Irmã Lawna canta cânticos de Natal acapella enquanto os go-go boys posam e leiloam joias chamativas para o público.

No fim da noite, as Irmãs angariaram $1.250 — uma quantidade impressionante para os padrões delas.

A Irmã Eve Angelica, uma membro fundadora da Abbey, diz, “Se você estabelecer uma meta para a quantidade de doações que você deveria conseguir, você sempre vai se desapontar. Qualquer coisa que pudermos dar é bom. Qualquer coisa é melhor do que nada. Nós estamos aqui para fazer o que pudermos por aqueles que precisam mais da gente.” Ela tem um dos braços mais peludos que eu já vi. Esse é o negócio das Sisters of Perpetual Indulgence — todas são drag queens.


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As Irmãs da Perpétua Indulgência são parte de um punhado desorganizado do mundo todo que compartilham uma “Sistory” coletiva começando em San Francisco durante o final da década de 70, antes da AIDS na revolução sexual. Nos meses depois de Dan White assassinar Harvey Milk, as primeiras Irmãs de manifestaram no distrito de Castro vestindo hábitos “emprestados”. Esses homens não usavam a cara branca ainda, mas eles logo iriam usar.

Em 1979, o proeminente ativista de direitos gays e dos nativos americanos convocou o primeiro encontro do Radical Faeries (Fadas Radicais) em Tuscon para que os homens gays pudessem “[recuperar] nossos papeis históricos antigos como pessoas da medicina, curandeiros, profetas, xamãs e feiticeiros” e “jogar fora o dinheiro feio da heteroimitação.” Um punhado das Irmãs originais compareceram à reunião do Hay e voltaram para San Francisco para começar a construir as Irmãs como são hoje.

Eles ratificaram uma constituição, elegeram um conselho administrativo e ganharam status de sem fins lucrativos, certificando-se de incluir níveis de hierarquia assemelhando-se à jornada das freiras católicas de verdade (com membros novos começando como Aspirantes, Postulantes, Noviças, antes de se tornarem membros Plenamente Professos).

Durante os anos 80, as SoPI de San Francisco ganharam mais membros ao aumentar a sua presença, ativismo e visibilidade. Elas distribuíram os primeiros panfletos de sexo positivo promovendo o uso de camisinhas durante o começo da AIDS quando ainda era conhecida como Deficiência Imunológica Relacionada aos Gays ou GRID. Em 1983, a Irmã Florence Nightmare apareceu na capa da Newsweek e ficou conhecida como “o garoto-propaganda da AIDS.” Mais tarde elas tiveram o primeiro evento beneficente delas, um bingo beneficiando refugiados cubanos gays que tinham sido rejeitados pelas igrejas de San Francisco.

A Irmã Boom Boom, que entrou em 1980, ganhou um cargo no conselho de supervisores de San Francisco e depois tentou concorrer a prefeita mas foi impedida por uma tecnicalidade porque ela não usou o seu nome legal na cédula de votação.

As Irmãs conduziram um exorcismo público do televangelista radicalmente antigay Jerry Fallwell — usando consolos e talismãs — pouco antes da Convenção Nacional Democrática de1984 de San Francisco. Naquele mesmo ano, elas vieram para Dallas para protestar a Convenção Nacional Republicana e a falta de políticas sobre o HIV e AIDS do Partido Republicano.

Devido ao fato de se vestirem de drags como freiras — uma das figuras mais amada e reconhecíveis na Cristandade — elas enfureceram a Igreja Católica. E em 1987, elas “orgulhosamente ganharam um lugar na Lista Papal de Hereges.”

De igual modo, elas provaram ser figuras decisivas na comunidade gay. No Dia Mundial da AIDS em 1991, a Irmã Grand Mother Viscious Power Hungry Bitch (Irmã Vish) deu uma entrevista na BBC. O apresentador mencionou, “Parte da comunidade gay na verdade critica vocês, e dizem que vocês estão trivializando a causa deles, e que vocês não estão fazendo com que a AIDS seja levada a sério.”

Sentada calma e ereta no sofá de frente para o apresentador, a Irmã Vish arrancou páginas da Bíblia, criticou a Igreja pela sua posição quanto à homossexualidade e respondeu, “AIDS é uma situação chocante, e requer atividades chocantes para resolver o problema.”

Em uma época de arte de choque — um crucifixo submergido no mijo, um tubarão submergido no formol, brincos feitos de fetos — as SoPI se encaixam suavemente em uma narrativa artística e cultural maior. As suas aparições e mensagens chocavam as pessoas. Assim como na entrevista da BBC, a mídia retrata elas como um grupo no qual a apresentação física e as mensagens radicais de aceitação, compreensão e tolerância ofuscam as suas contribuições sociais.

Antes delas anunciarem os planos para comparecerem à CRN de 1984 no Dallas, “o jornal bastante conservador [publicou] editoriais semanais sobre como as Irmãs da Perpétua Indulgência de San Francisco estavam ‘arruinando’ os esforços para se alcançar os direitos gays nos EUA.” O jornal foi longe demais ao ponto de desconvida-las de comparecer à convenção.


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Irmã Lawna Jocqui

Apesar de suas polêmicas, as SoPI nunca pararam de ganhar membros. Já no século 21, elas abriram mais de 80 casas e ordens ao redor do mundo. Talvez a proliferação delas tenha feito as suas aparições públicas menos chocantes e o público mais receptivo à mensagem delas.

A Irmã Victoria N. Cheezus — uma membro plenamente professa da Abbey of the Lone Star — diz que a maquiagem familiar da cara branca ajuda. As Irmãs abraçaram a maquiagem da cara branca entre 1984 e 1987. Agora, diz ela, “Sempre que alguém entra em um lugar [e vê a gente] eles sabem quem a gente é. Eles falam, ‘Essa é uma Irmã da Perpétua Indulgência e elas têm o que eu preciso. Elas têm os recursos.'”

Ela me entrega um cartão de visitas. No verso estão os nomes e números de nove grupos locais de apoio educacional, alimentício, médico e abrigo. Outra membro da Abbey, a Irmã Polly von Acocker, carrega “kits felicidade” (camisinha e lubrificante) na bolsa dela, assim como a maioria de suas Irmãs. No final da noite, um garoto loiro, alto, no início dos seus vinte anos se aproxima da Irmã Polly e pede um. Ela procura na sua bolsa, entrega um kit a ele e diz para ele se divertir. Ela me dá um também. Ela colocou um adesivo nele com informações sobre a realização local de exames de DST e recursos para a AIDS.

“É para isso que estamos aqui,” diz a Irmã Polly, apontando para o kit felicidade enquanto o garoto ia embora para continuar a se pegar com o cara no canto do bar. “Aquele garoto queria se divertir essa noite e ele queria segurança, e ele sabia que a gente teria o que ele precisava para ter segurança.” ela olha para baixo, debaixo dos meus colares e arreio, para a cueca que eu to usando, bate os seus cílios quilométricos e continua: “Eu espero que você tenha segurança essa noite também.”

Desde que a Abbey of the Lone Star se tornou uma casa plenamente professa em Dallas-Fort Worth três anos atrás, elas sediaram muitos eventos locais educacionais e beneficentes como o Sleigh Ride in Leather, uma série de bingos gays e predominantemente pool parties gays durante o verão. As membros, como a maioria das outras casas das SoPI, não se manifestam somente em carne e osso nos eventos, elas também se manifestam online, mantendo uma presença ativa nas mídias sociais pra enfrentar novos problemas gays da era digital enquanto espalham sua mensagem para um público ainda maior.

Por exemplo, no meio de 2014, o Facebook começou a implementar a sua política de nome desativando usuários com pseudônimos a não ser que os nomes do perfil correspondesse aos dos documentos oficiais. Por sua vez, o Facebook desativou o perfil da Irmã Blanche Davidian da Abbey de DFW, junto com incontáveis perfis de outras Irmãs e drag queens por todo o país. Em San Francisco, a Irmã Roma — uma membro por 20 anos que de dia trabalha como diretora de arte para filmes pornôs gays — virou notícia nacional com um post agora infame protestando a ação da empresa, argumentando que tal aplicação repentina e limitada de sua política foi “injusta, ofensiva, discriminatória e uma invasão de privacidade.”

Milhares de usuários do Facebook reuniram-se em torno das Irmãs Roma e Blanche e migraram para outras redes sociais como o Ello. Em San Francisco, a Irmã Roma liderou reuniões com executivos do Facebook para explicar como a implementação repentina deles afetou desproporcionalmente as comunidades transgênera e drag, assim como vítimas de abuso doméstico e outros que usam nomes alternativos nas mídias sociais. Em resposta, do escritório do produto principal do Facebook, Chris Cox por fim se desculpou pela ação unilateral da empresa, declarando que “todo mundo no Facebook [deveria usar] o nome autêntico que eles usam na vida real. Para a Irmã Roma, é Irmã Roma.”

Outras Irmãs por todo o país usam fóruns online para oferecer apoio e para ativismo também. A Irmã Iona Dubble-Wyde de San Diego frequentemente posta no Facebook sobre as descobertas mais recentes na pesquisa sobre o HIV, em especial os remédios PrEP (que ela encoraja os seus seguidores a usar). A Irmã Sparkle Plenty de Minneapolis promove uma agenda bastante populista em seu Facebook, defendendo um estilo de vida anticonsumismo e sugerindo aos seus seguidores que comprem em lojas pequenas locais em vez de loja grandes de varejo como o Wal-Mart.

A crescente presença das SoPI e de conversas políticas — tanto online quanto na vida real — evoluiu os seus membros de um pequeno grupo de drags freiras homem, branco e gay para uma rede internacional de freiras ativistas, angariadoras de fundos e filantropas de uma variedade de raça, orientação de gênero e sexualidade, incluindo mulheres cis que, para todos os efeitos, se vestem de drag.


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Irmã Sparkle Plenty

De acordo com a Abbey of the Lone Star, as Irmãs se vestem de freiras drags não para zombar das freiras católicas, mas porque elas são freiras:

“[as Irmãs são] muito dedicadas à nossa vocação e nossos votos refletem nosso comprometimento com a nossa comunidade. Se você olhar para o trabalho que as freiras tradicionais fazem, e depois olhar para o trabalho que nós fazemos, você vai encontrar muitas similaridades. Elas ministram para a comunidade delas. Nós ministramos para a nossa comunidade. Elas angariam fundos para os necessitados. Nós angariamos fundos para os necessitados. Elas são educadoras. Nós somos educadoras. Você vê alguma diferença significativa? A lista continua sem parar…”

A Irmã Victoria, explica isso tudo enquanto bebemos no pátio do Dallas Eagle. A essa altura, eu estou acostumado com o ar da noite fria, apesar de que eu não estou exatamente confortável — vários homens puxaram a cueca amarela para longe da minha barriga, olharam para as minhas coisas e depois sorriam enquanto eles soltavam o elástico da cintura para bater de volta na minha barriga e iam embora. A conversa calorosa e reconfortante da Irmã Victoria é um ótimo intervalo de ter os homens continuamente olhando o meu pau.

Ela explica uma distinção que ela faz entre as freiras católicas e as Irmãs. “Nós não somos um grupo religioso,” ela diz. “[Mas] nosso trabalho é ministrar para a comunidade queer. Isso quer dizer gay, lésbica, transgênero, qualquer um que não é normal — nós somos as freiras deles… As vezes as pessoas só precisam desabafar. A nossa cara branca para as pessoas é como um quadro em branco; faz a gente ser anônima, e isso ajuda as pessoas a se abrirem. Ela conhecem a gente, mas elas não me conhecem porque elas não sabem dizer quem sou eu. Elas vêm e se confessam.”

A Irmã Devlynn, parada do lado da Irmã Victoria, puxa outro cigarro da sua bolsa, acende e assopra um jato cinza de fumaça. Ela olha para o céu da noite e diz: “Uma vez, estávamos todas [no bairro gay] e esse gay veio até a gente e disse, ‘Eu nunca fiz exame de HIV, e eu to com muito medo e eu to muito nervoso.’ Ele tinha vinte e poucos anos, talvez 23. E isso é uma coisa assustadora para alguém dessa idade, ter que encarar e perceber que chegou a hora. Então uma de nós foi com ele fazer o exame e a Irmã Victoria ficou sentada com ele durante todo o processo, então eles saíram e foram almoçar.”

A Irmã Devlynn vira o seu cigarro entre os seus dedos e diz, “Uma freira é uma pessoa que diz ‘Há algo que é maior do que eu sou, e eu vou servir a esse poder.’ Como por exemplo a Madre Teresa. Quando ela ficou mais velha, ela foi contra até à igreja e denunciou muitos de seus ensinamentos. Mas o que ela fez foi dizer que ela estava lá para ajudar.”

Uma postulante (membro júnior) chamada Kitty von Delballs estava parada perto da Irmã Devlynn acrescenta, “Eu não entrei nisso porque era uma religião. É mais, eu vi um grupo de pessoas que se dispôs à ajudar os outros na comunidade e eu quis me juntar a elas.”


Dentro do bar, a Irmã Blanche Davidian, 1,95m de salto, eleva-se sobre a multidão enquanto ela desliza por toda a parte cumprimentando os participantes do evento beneficente. O nome legal dela é Bruce, e ele é um ministro ordenado. Mas Blanche é diferente de Bruce — ela é uma personalidade que ele criou para conduzir o apoio e ativismo que ele sentia que tinha recebido o chamado para fazer.

Depois de querer ser uma Irmã por mais de trinta anos, ele entrou assim que a Abbey of the Lone Star se tornou uma casa totalmente professa. Parada à minha frente agora ,ela cheira a vetiver, oud, jacarandá e fava tonka. Ela tem um rosto branco cheio de linhas de expressão que se arrastam por baixo de seu diadema e em torno das bordas do seus lábios roxo-profundo brilhantes. Bruce nunca usaria um vestido, ela diz, mas a Irmã Blanche usa porque há uma mensagem a ser entregue e causas para apoiar.

Ela e a Irmã Victoria visualizam um novo ministério paras as Irmãs e um novo problema na comunidade queer para enfrentar no futuro: colocar um fim em brigas internas.

“Eu tenho sessenta anos de idade,” diz Blanche. “Eu lembro quando as lésbicas e as drag queens e os transgêneros e o homens gays ficavam completamente separados.” A voz dela se eleva sobre a música eletrônica tocando no bar para que todos ao seu redor possam ouvir. “E então o HIV chegou e todos nos juntamos. E agora estamos nos separando de novo, e precisamos nos controlar.”

As pessoas ouvindo o seu ministério concordam com a cabeça e levantam os seus copos e brindam “SIIIIIIM!” enquanto elas bebem e continuam a dançar. Eu continuo seminu e com frio, vestindo essa cueca brilhante que a Irmã Lawna logo vai leiloar em mim por $80. Eu me junto à confusão, gritando, “Pregue, Irmã, pregue!”