Homens buscam menos tratamento para HIV e têm mais chances de morrer por causas relacionadas à AIDS

Homens buscam menos tratamento para HIV e têm mais chances de morrer por causas relacionadas à AIDS

Be first to like this.

No Dia Mundial contra a AIDS, o UNAIDS divulgou um novo relatório que mostra que os homens têm menos probabilidade de fazer o teste para o HIV, são menos propensos buscar o tratamento antirretroviral e têm mais chances de morrer por complicações relacionadas à AIDS do que as mulheres.

O Relatório Ponto Cego (Blind spot, em inglês) mostra que, globalmente, menos de metade dos homens que vivem com HIV está em tratamento, em comparação com 60% das mulheres. Os estudos mostram que os homens são mais propensos do que as mulheres a iniciarem o tratamento tardiamente, a interromperem o tratamento e a se desvincularem dos serviços de tratamento.

“Enfrentar as desigualdades que colocam as mulheres e meninas em risco de infecção pelo vírus está em primeiro plano na resposta à AIDS”, disse Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS. “Mas há um ponto cego em relação aos homens—os homens não estão usando os serviços de prevenção e testagem para o HIV e não estão buscando acesso ao tratamento na mesma escala que as mulheres.”

Na África subsaariana, homens e meninos que vivem com HIV são 20% menos propensos do que mulheres e meninas vivendo com HIV a conhecerem seu estado sorológico positivo para o vírus e têm 27% menos chances de buscar acesso ao tratamento. Em 2015, em KwaZulu-Natal, a província com maior prevalência de HIV na África do Sul, apenas um em cada quatro homens vivendo com HIV, com idade entre 20 e 24 anos, conhecia seu diagnóstico.

Na África Ocidental e Central, uma região que está lutando para responder eficazmente ao HIV, apenas 25% dos homens que vivem com HIV estão tendo acesso ao tratamento. Quando as pessoas não estão em tratamento, elas são mais propensas a transmitir o HIV.

“Quando os homens têm acesso a serviços de prevenção e tratamento do HIV, cria-se um bônus triplo”, disse Sidibé. “Eles se protegem, protegem seus parceiros sexuais e protegem suas famílias.”

O relatório destaca dados da África subsaariana que mostram que o uso de preservativos com um parceiro não-regular é baixo entre os homens mais velhos, que também são mais propensos a viver com HIV—50% dos homens com idade entre 40-44 anos e 90% de homens com idade entre 55-59 anos relataram não usar preservativo. Esses dados são compatíveis com estudos que mostram um ciclo de transmissão do HIV de homens mais velhos para mulheres mais jovens, e de mulheres adultas para homens adultos de idade similar em locais com alta prevalência do HIV.

O relatório Ponto Cego também mostra que a prevalência do HIV é consistentemente maior entre os homens que fazem parte das populações-chave. Fora da África Oriental e Austral, 60% de todas as novas infecções por HIV entre adultos acontecem entre os homens. O relatório destaca as dificuldades particulares que os homens em populações-chave enfrentam no acesso aos serviços de HIV, incluindo discriminação, assédio e recusa de serviços de saúde.

Os homens que fazem sexo com homens são 24 vezes mais propensos à infecção por HIV do que os homens na população em geral e, em mais de 24 de países, a prevalência do HIV entre homens que fazem sexo com homens é de 15% ou mais.

No entanto, estudos recentes sugerem que o uso de preservativos está caindo na Austrália, na Europa e nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, entre homossexuais e outros homens que fazem sexo com homens, que são HIV negativos, o percentual dos que têm relações sexuais sem preservativo aumentou de 35% para 41% entre 2011 e 2014.

O relatório Ponto cego mostra que cerca de 80% das 11,8 milhões de pessoas que usam drogas injetáveis são homens e que a prevalência do HIV entre as pessoas que usam drogas injetáveis passa de 25% em vários países. O uso do preservativo é quase universalmente baixo entre os homens dessa população-chave e o percentual deles que usaram equipamento esterilizado durante sua última injeção varia de país para país. Na Ucrânia, por exemplo, a porcentagem de homens que utilizaram agulha esterilizada no último uso de droga injetável foi bem acima de 90%, enquanto nos Estados Unidos esse número foi de apenas 35%.

Nas prisões, onde 90% dos detentos são homens, a prevalência do HIV é estimada entre 3% e 8%, mas os preservativos e os serviços de redução de danos raramente estão disponíveis.

Embora a testagem para o HIV esteja alcançando as mulheres, particularmente as mulheres que utilizam serviços pré-natais, os mesmos pontos de entrada não foram encontrados para os homens, limitando a aceitação do teste do HIV entre eles.

“O conceito de masculinidade nociva e os estereótipos masculinos criam condições que fazem com que relações sexuais mais seguras, testagem para o HIV, acesso e adesão ao tratamento—ou mesmo conversas sobre sexualidade—sejam desafiadoras para os homens”, disse Sidibé. “Mas os homens precisam assumir essa responsabilidade. Essa bravata está custando vidas.”

O relatório mostra a necessidade de investir em meninos e meninas mais jovens, garantindo que eles tenham acesso a educação sexual abrangente, adequada à idade, que aborde a igualdade de gênero e que seja baseada em direitos humanos, criando relacionamentos saudáveis ​​e promovendo comportamentos voltados para a saúde tanto de meninas quanto de meninos.

O relatório incita os programas de HIV a estimularem os homens para que tenham acesso aos serviços de saúde e os tornem disponíveis com mais facilidade para eles. Isso inclui a disponibilização de serviços de saúde personalizados, incluindo o prolongamento dos horários de atendimento, o uso de farmácias para oferecer serviços de saúde aos homens, alcançá-los em seus locais de trabalho e lazer, incluindo bares e clubes esportivos, e usando novas tecnologias de comunicação, como aplicativos de celular.

O relatório Ponto cego mostra que, ao permitir que os homens permaneçam livres do HIV, façam o teste regularmente e, caso sejam diagnosticados soropositivos, comecem e permaneçam em tratamento, os benefícios não irão apenas melhorar os resultados da saúde masculina, mas também contribuirão para diminuir as novas infecções por HIV entre as mulheres e meninas e alterar normas prejudiciais de gênero.

Em 2016 (* junho de 2017), estima-se:

* 20,9 milhões [18,4 milhões – 21,7 milhões] de pessoas com acesso à terapia antirretroviral;

36,7 milhões [30,8 milhões – 42,9 milhões] de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV;

1,8 milhão [1,6 milhão – 2,1 milhões] de novas infecções com HIV

1 milhão [830 000 – 1,2 milhão] de mortes por doenças relacionadas à AIDS.

Acesse o comunicado de imprensa completo aqui.

 

Related Stories

Carlinhos Maia tem estátua removida de sua cidade em protesto de moradores (vídeo)
Novo estudo sugere que “muito” sexo oral pode causar câncer
Cinco momentos para se evitar engatar um namoro (vídeo)
VÍDEOS GAYS! Na nova versão 7 do Hornet os usuários poderão postar vídeos
Quantcast