Igreja da Comunidade Metropolitana acolhe LGBTs cristãos

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Quando pessoas queer saem do armário, frequentemente elas se veem procurando por uma tradição religiosa ligada aos costumes nos quais elas foram criadas mas que também as acolham como LGBTQ. Pode parecer contraintuitivo, considerando como as organizações religiosas são antagônicas historicamente. Mas no vazio criado pela animosidade religiosa apareceu a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), celebrando 49 anos de culto esse mês.

Começo Humilde da Igreja da Comunidade  Metropolitana

Foi em 6 de outubro de 1968 que Troy Perry juntou uma congregação pela primeira vez em sua sala de estar em Huntington Park, Califórnia. Perry havia sido excomungado há uns anos por uma organização pentecostal homofóbica, e durante seus primeiros cultos ele tocava vinis com músicas religiosas.

Os primeiros fiéis descobriram o grupo através de anúncios na The Advocate, que na época era um dos poucos meios que os gays tinham para se encontrar. E após um ano, tinha tanta gente que eles se mudaram da casa de Perry para uma série de clubes, auditórios, teatros e igrejas.

Influência Crescente

Quase imediatamente, pessoas queer por todos os Estados Unidos contataram Perry para expressar interesse em estabelecer organizações similares em suas cidades. Eles organizaram uma Conferência Geral em 1970 e estabeleceram contatos por todo país. Atualmente, a ICM mantém congregações em vinte e quatro países.

Outros ministros — tanto queers como aliados — logo ficaram sabendo do rebanho de Perry, e ele trabalhou ao lado de membros de comunidades religiosas já estabelecidos como o Reverendo Richard Ploen para crescer o alcance da ICM. Ploen era um ex-missionário e emprestou seus conhecimentos para o proselitismo de um público geralmente cético.

Uma Missão Ampla

A ICM não é só uma organização cívica. Ela opera como muitas outras organizações religiosas, estabelecendo os rituais e aderindo a textos cristãos conhecidos. Mas também há um foco na interação com a comunidade e justiça social, e líderes dedicados particularmente à igualdade para pessoas LGBT.

De fato, a igreja realizou sua primeira cerimônia de casamento para um casal homoafetivo um ano após ter sido fundada, em 1969. A cerimônia não teve reconhecimento legal, obviamente, mas foi um dos primeiros atos desse tipo documentados no país. A ICM também é aberta para que mulheres atuem como ministras.

Nem sempre foi tudo flores para a organização. Um dos primeiros locais de culto foi um prédio na Avenida South Union que sofreu um incêndio suspeito após dois anos. Mais recentemente, entre 2003 e 2006, uma cisão fragmentou uma congregação em Dallas, onde alguns membros achavam que o foco nas questões LGBT alienavam membros em potencial. (Cerca de 20% de seus membros se identificam como heterossexuais, de acordo com a igreja.)

A Igreja da Comunidade Metropolitana Ainda Está Crescendo

Mas, apesar de tudo, a ICM mantém seu foco em acolher pessoas queer que precisam de experiências religiosas. Eles abriram suas portas por completo deliberadamente — por exemplo, ao permitir a comunhão para todos. Eles também incorporam ensinamentos de várias crenças cristãs, fazendo de suas práticas conhecidas de muitas pessoas.

Religião não é para todo mundo — particularmente quando se trata de pessoas LGBTQ, muitos dos quais sofreram na pele a crueldade exercida pelas religiões contra minorias sexuais. Mas para essas pessoas que acham que a ausência de fé deixa um vazio em suas vidas, a ICM esteve lá por meio século — e com certeza vai continuar a oferecer assistência por muitas décadas.

 

Traduzido por Rafael Lessa.