Conciliação Cultural LGBT x Negros reúne lideranças em debate acalorado

Nesta última quinta, dia 30, aconteceu o Debate de Conciliação Cultural LGBTQ + Negra promovido pelo IBD – Instituto Brasileiro da Diversidade no Teatro Sérgio Cardoso, onde pelo menos 100 pessoas se reuniram para dialogar com lideranças e representações de minorias que sofrem opressões históricas e que buscam, através de ações, arte, música e política mudar esse quadro de que parece se agravar.

A mesa foi mediada pelo jornalista Tony Goes e teve participação de Mel Gonçalves, antora, apresentadora de TV e ativista pelos direitos LGBTQ, Caio Prado, cantor, compositor e ativista; Mc Dellacroix, rapper e ativista trans, Jéssica Ipólito, criadora do blog Gorda e Sapatão, feminista e ativista do movimento negro feminino; Rico Dalasam, rapper, cantor e compositor; Andre Fischer, Diretor do Festival Mix Brasil e country manager do Hornet Brasil; Cida Bento, psicóloga social e diretora do CEERT e apresentação de João Lindolfo, Sociólogo, radialista comunitário e ativista.

O debate foi um espaço criado para promover o diálogo propositivo a respeito de barreiras, dificuldades, superações e aprendizados na cultura, um dos segmentos da economia que, em tese, é mais sensível ao respeito e à valorização das diversidades humanas. Confira as principais declarações dos convidados:

 

Bruno Góes

O movimento LGBT é desunido. Essa coisa do lugar de fala está calando pessoas que querem manifestar apoio a outras comunidades de minorias, mas não conseguem estabelecer esse diálogo.

André Fischer

Temos todos uma pauta comum, mas é preciso entender nosso lugar de privilégio antes (…) negros precisam ter mais representatividade que brancos sim, ou o branco jamais o verá com sua devida importância.

Caio Prado

É preciso ceder espaço ao protagonismo negro e isso não é “histeria racial”. O negro não tem as condições favoráveis do branco nem pra falar, imagina para existir.

Mc Dellacroix

Meu corpo de travesti preto de periferia incomoda quando eu começo a ocupar espaços (…) a conciliação começa quando o privilegiado olha o outro com empatia.

Mel Gonçalves

O lugar de fala nada mais é que saber calar para ouvir o outro e não calar o outro (…) Não adianta me tratar bem se você não trata minha irmã da mesma forma, só porque ela não chegou onde cheguei.

Géssica Ipólito

Se estamos falando de conciliação é porque houve ruptura. Mas essa ruptura não veio da comunidade negra, mas branca – que é quem decide aquele que entra e aquele que sai.

Cida Bento

Inferiorizar o outro é expressão do medo. Nossa sexualidade é nossa maior força. A mulher branca inferioriza a negra, mas quer estar no lugar dela nas escolas de samba.

Rico Dalasan

Sempre que vejo a palavra negro mais outra coisa, essa outra coisa pra mim é branco. Quando preciso defender minhas crenças, a primeira barreira lançada sobre mim é minha cor.

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