MELHOR DE 2016: 10 Filmes LGBTQ Que Você Pode Não Ter Visto

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Você pode ter perdido a variedade deliciosamente diversificada de filmes LGBTQ de 2016—muitos filmes bons permanecem obscuros, ignorados até pela mídia gay—mas o ano teve vários filmes protagonizados por mulheres fortes (incluindo três poderosos documentários) e uma variedade do leve ao pesado de psicodramas (incluindo Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight) e um filme coreano perturbador). Reunimos os trailers de 10 dos melhores e fizemos uns comentários sobre suas peculiaridades. Pegue uma pipoca—você vai se surpreender.

1. Author: The JT Leroy Story

Em 1999, JT LeRoy—um ex-profissional do sexo de parada de caminhão, de 19 anos, sem-teto, transgênero, soropositivo—alcançou fama literária instantânea após publicar dois livros semiautobiográficos. Mas logo depois, um colunista de uma revista de Nova Iorque e muitos outros começaram a questionar a verdadeira identidade do autor. Combinando conversas telefônicas gravadas com os amigos famosos do LeRoy (como Courtney Love), cenas animadas com as confissões do LeRoy e entrevistas reveladoras com sua criadora, Laura Albert, Author: The JT Leroy Story analisa as experiências reais por trás das histórias pessoais do LeRoy e um olhar surpreendentemente emocionante sobre as pessoas por trás do “maior embuste literário do século 21.” (Leia a nossa crítica do filme e nossa entrevista com a Laura Albert).

2. O Monstro no Armário (Closet Monster)

Perturbado pelo divórcio de seus pais e por um crime motivado por ódio contra um adolescente gay local, Oscar Madly, que tem 18 anos, mal pode esperar para fugir da sua cidade natal localizada na área rural. Seus únicos amigos são sua melhor amiga aspirante a modelo e seu hamster de estimação falante (dublado pela atriz de Green Porno Isabella Rossellini). Apesar de Oscar querer ir para a faculdade e querer se relacionar com seu colega de trabalho sexualmente ambíguo, suas crises de ansiedade e imaginação fértil ameaçam dominá-lo em momentos surreais maravilhosos mas ainda assim de cortar o coração. O filme semiautobiográfico do diretor/roteirista canadense Stephen Dunn supera as expectativas e evita finais de conto de fadas com uma performance incrível do ator principal Connor Jessup. 

3. Agassi (The Handmaiden)

Lindamente criado pelo famoso diretor coreano Park Chan-wook (Oldboy), The Handmaiden vai te deixar tenso com suas reviravoltas: tem a identidade inacreditável da personagem do título (a empregada), uma herdeira japonesa e sua relação complicada com seu tio perverso, além do plano secreto para roubar a fortuna da herdeira. Uma adaptação livre de Fingersmith, um romance de 2002 ambientado na era vitoriana, The Handmaiden leva a história para a Coreia colonial dos anos 30. Um romance lésbico surge desse suspense sexy com imagens assombrosas da mansão e cenas de sexo sedutoras entre as duas personagens principais que vão tirar seu fôlego. —Charles Thompson-Wang

4. Kiki

Considerado o sucessor espiritual do filme de 1990 Paris is Burning, Kiki revela o quanto a cultura dos bailes de NYC permanece vital e vibrante para os jovens LGBTQ, que não são brancos, abandonados  pelos políticos conservadores e pelo movimento do casamento igualitário. O elenco cheio de vida expressa sem hesitações suas visões sobre as dificuldades diárias do trabalho sexual, transfobia, HIV e do racismo institucionalizado sem jamais soar como lição de moral. Mas a verdadeira estrela do filme é o próprio baile em si, um espaço alegremente caótico, extravagante e incontrito para a autoexpressão e sobrevivência.

Também vale a pena conferir o documentário de 2016 que tem essa mesma vibe intitulado Strike a Pose, sobre os seis dançarinos gays (e um hétero) de “Vogue” da turnê polêmica de 1990 da Madonna Truth or Dare.

5. King Cobra

Quando a estrela do pornô de pau grande e carinha de bebê Brent Corrigan surgiu em 2004, sua enorme popularidade o levou a trabalhar com grandes estúdios como Jet Set Men e Falcon. Mas no início de sua carreira, dois produtores pornô rivais brigaram para controlar a carreira dele, e a rivalidade deles terminou em um assassinato chocante que dominou a blogosfera do pornô gay por quase um ano. King Cobra transforma esse material nada culto em um melodrama intenso com uma cinematografia estilosa incrível—e James Franco e Christian Slater brigando como adversários sórdidos. Além disso, Molly Ringwald faz uma participação como a mãe preocupada de Corrigan. (Veja nossa sinopse e fotos da estreia do filme.)

6. Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)

Apesar de algumas pessoas terem comparado esse filme a Delicada Atração (Beautiful Thing), lançado em 1996, Moonlight: Sob a Luz do Luar supera de longe o seu antecessor em sua história, coragem e complexidade emocional. Em seu âmago, Moonlight é uma história de amor que acompanha o crescimento de Chiron (pronunciado Chai-rone) nas favelas de Miami ao lado de seu amigo de infância Kevin, e sua mãe viciada em drogas, Paula. A intimidade despudorada entre seus personagens negros e latinos impressionou o público por sua sensibilidade e infrequência nas telonas, mesmo com cenas que exploram velhos temas de identidade, masculinidade e a pressão para se conformar.

7. Demônio de Neon (The Neon Demon)

Existem diversas razões para O Demônio Neon ter flopado nas bilheterias: Apesar de todas suas ambições exageradas de terror, sua qualidade superficial e onírica se sobressaiu graças a sua direção artística ofuscante. No entanto, a iluminação vibrante e maquiagem dramática deu uma qualidade misteriosa a seu conto vampírico de profissionais da moda de Los Angeles que agem como predadores com uma novata aparentemente inocente. Os subtons de necrofilia, a atuação deliberadamente sem emoção e seu consequente encontro lésbico acrescentam a sua vibe de perigo. Mesmo que não atinja o status de cult, seus visuais resplandecentes e assombrosos vão ficar na sua cabeça por muito tempo.

8. Other People

Não precisamos de outra comédia dramática sobre o lado positivo da vida sobre uma criança lidando com um de seus pais que se curou de um câncer, mas Other People vai além desse material batido ao focar em David, o protagonista agitado de 29 anos que retorna para casa para cuidar de sua mãe que está morrendo, Joanne (interpretada pela comediante do Saturday Night Live Molly Shannon). Shannon consegue causar risadas apesar de alguns momentos cômicos previsíveis, e as melhores cenas do filme são originadas da sexualidade de David: O sexo vulnerável mas ainda assim de despedida com seu novo ex e sua conversa esquisita com seu pai que não o aceita. Ambas fazem a sua depressão e baixa autoestima parecerem mais humanas do que banais, e acabam fortalecendo a parte cômica do filme.

9. Ovarian Psycos

O documentário surpreendente de Joanna Sokolowski e Kate Trumbull-LaValle acompanha uma gangue de mulheres motoqueiras em East Los Angeles (na verdade mais para bicicletas Schwinn do que para motos Harley) conforme elas forjam uma irmandade durante seus passeios na lua cheia. Xela de la X, a fundadora titular da gangue, surge como a figura mais interessante do filme—ela é uma poeta e uma “adulta em risco”, isso é, precisa de cuidados psicológicos, que criou a identidade da Psycos com base na cultura de gangues, mitologia latina e liberação feminina, ao mesmo tempo, no entanto, ela se sente dividida entre cuidar da gangue e criar sua filha. No final das contas, X e suas irmãs da Psycos marcham, ou melhor, dirigem contra o machismo pós-colonial que aprisionou, controlou e explorou os corpos das mulheres. Quando você assiste, faz você querer se juntar a elas.

10. Festa da Salsicha (Sausage Party)

Você pode não esperar isso de Seth Rogen, mas Festa da Salsicha tem personagens adoráveis (incluindo um taco lésbico dublado por Salma Hayek); músicas alto astral para cantar junto como “The Great Beyond”; e até mesmo uma sequência cheia de ação envolvendo um produto de higiene feminino malvado querendo vingança desesperadamente contra o personagem principal, Frank, uma salsicha, por tê-lo danificado acidentalmente. No estilo característico do Seth Rogen, esse filme tem bastante humor adulto. A cena final, em especial—uma orgia gigante de comida—vai te deixar completamente sem palavras. —C.T.W.

Traduzido por Rafael Lessa.