MELHOR DE 2016: 17 Momentos na TV que Celebraram e Abraçaram as Pessoas Queer

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Os experts dizem que estamos vivendo a era do “auge da TV”, tanto em termos de qualidade como de quantidade. Curiosamente, estudos mostram que apesar de toda essa TV, não existe tanta representação queer. Felizmente, alguns programas abraçam todo seu público, e eles devem ser celebrados. Com isso em mente, aqui estão nossas escolhas para os momentos mais queers na TV no ano passado.

1. Black Mirror visita San Junipero

Black Mirror nos surpreendeu esse ano—não por ser incrível, porque sempre é. Mas quem diria que o melhor episódio da terceira temporada (e talvez de toda série) teria um final feliz? “San Junipero” foca em um lindo relacionamento lésbico envolvendo uma mulher tímida que nunca havia tido uma experiência queer. Quanto menos spoilers melhor. Vamos apenas dizer que você vai achar que já sacou as reviravoltas logo de cara… mas não sacou. Não mesmo. —Matt Keeley

2. Todd de Bojack Horseman Sai do Armário

O final brutalmente triste da terceira temporada de Bojack Horseman teve um lado bom: Todd Chavez, o amigo que divide a casa com Bojack, saiu do armário! “Ah, a cena típica de saída do armário? Isso que é televisão progressiva hoje em dia? Isso já era velho nos anos 90,” você diz? Pode ser verdade, mas se assumir como assexual é muito mais raro. Talvez em uma subtrama da quarta temporada Todd vai juntar forças com Jughead Jones de Archie como os Ace Avengers, lutando contra o crime e sem transar! (Pensando melhor, isso seria horrível.) —M.K.

3. Crazy Ex-Girlfriend Explora Bissexualidade

Escrevemos bastante sobre Crazy Ex-Girlfriend, que também apareceu ano passado na nossa lista do “Melhor de 2015”. Mas, sério, como poderia “Getting Bi”—a melhor música sobre ser bissexual já escrita e cantada—não estar presente nessa lista? Essa música não só não foi uma piadinha, como também o relacionamento de Daryl e White Josh é facilmente o mais saudável da série. —M.K.

4. Em Difficult People, Billy Volta Para o Armário

Claro que uma série de Julie Klausner e Billy Eichner vai ser muito gay. E em uma série cheia de momentos queer—o casamento do Matthew; a contratação da Lola, a entendedora de trans; Billy namorando um canibal que tenta engordar ele—nosso favorito é o episódio “Italian Piñata,” no qual Billy reentra no armário com o propósito de fazer pegação no Dia Nacional da Saída do Armário. Mas quando uma pegação periga se transformar em um relacionamento, Billy tem que continuar a farsa enquanto seu novo namorado explica a  “história LGBLT” para ele—como o que aconteceu em Stonewall logo após a morte da Princesa Diana. E como se esse episódio não fosse queer o bastante, John Waters participa das cenas da Mink Stole como um paciente. —M.K.

5. Drunk History Acerta As Coisas

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Alexandra Grey e Trace Lysette como Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera em Drunk History (Foto: Comedy Central)

Lembra quando Stonewall de Roland Emmerich foi lançado e foi uma porcaria de filme que estrelou um garoto branco bonitinho como o herói das manifestações? Não seria ótimo se, em vez disso, ele baseasse o filme nos heróis verdadeiros? Emmerich pode ter vacilado—o que mais você poderia esperar do cara que nos deu a versão de 1998 de Godzilla?—mas felizmente Derek Waters e Crissle West salvaram o dia. O segmento de Drunk History sobre as manifestações do Stonewall de algum modo teve mais precisão e ressonância emocional em um segmento de cinco minutos do que toda a filmografia do Emmerich—e o programa escalou atrizes trans para retratar as verdadeiras heroínas de Stonewall Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera. Valeu a pena. Esse episódio de Drunk History foi um dos mais altamente conceituados da série, ao mesmo tempo que quanto menos se falar sobre Stonewall, melhor. —M.K.

6. Grace e Frankie Envelhecem (Des)graciosamente

A segunda temporada de Grace and Frankie atraiu os espectadores de volta com mais confusões do casal estranho do título. Depois de assinar um contrato para produzir em massa o seu lubrificante vaginal de inhame caseiro, Frankie luta para garantir que sua produção não utilize azeite de dendê, algo que prejudica os habitats dos orangotangos. Gracie se reconecta com um caso antigo, que acaba por leva-la a uma bebedeira que faz ela aterrorizar um almoço com revelações emocionais casuais e piadinhas horríveis. Enquanto isso, conforme Sol e Robert tentam seguir em frente após a infidelidade que ninguém esperava na primeira temporada, eles navegam pelo que significa ser gay e casado tarde na vida da maneira mais embaraçosa e fofa. Isso inclui descobrir como reagir quando o jovem enfermeiro super gato, abertamente gay, do Robert fica super ofendido quando descobre que Sol e Robert vivem de certa forma no armário. É tudo bem extraordinário, principalmente porque raramente vemos adultos mais velhos independentes (gays então, nem se fala) na tela. —Adam Golden

7. Samantha Bee Se Tornou uma Líder da Nossa Luta Queer

Full Frontal with Samantha Bee tem um dos mais diversos staffs da televisão noturna, e Bee e seu staff criaram uma história fascinante do Direito Religioso. Apesar dessa reportagem—dividida em dois segmentos e colocados em uma playlist acima—não ser explicitamente queer, sempre é bom conhecer seus inimigos. —M.K.

8. High Maintenance Atende Clientes de Todas as Sexualidades

Começando como uma websérie no Vimeo, esse ano High Maintenance chegou ao HBO. A série acompanha um traficante de maconha, conhecido somente como “O Cara” (Ben Sinclair), enquanto ele atende os clientes pela cidade de New York. Desde seus episódios iniciais, a série tem sido incrivelmente queer-friendly; a série teve o primeiro personagem assexual canônico que já vi na TV. Tem tantos momentos ótimos, mas talvez o melhor é quando O Cara visita Patrick (Michael Cyril Creighton), um cliente que por acaso é um gay agorafóbico. O Cara encoraja sutilmente Patrick a sair, que, sem muito spoiler, conhece um médium interpretado por Mx Justin Vivian Bond. —M.K.

9. A Diversidade de Mulheres em Orange Is the New Black Deu o Que Falar

Apesar de Orange Is the New Black ter começado como um programa sobre a Piper, a mulher branca privilegiada que não esperava ir para a prisão, desde então tem se estabelecido como um dos programas queers mais importantes na televisão por apresentar personagens femininos totalmente desenvolvidos (muitas delas trans, queer e não-brancas) em todos os tipo de relacionamentos: erótico, romântico e platônico. A sua quarta e mais forte temporada mostrou a mulher trans vulnerável mas intensamente poderosa, Sophia Burset (Laverne Cox), passando por um confinamento solitário, um destino que muitas pessoas queer e trans encaram; Suzanne “Crazy Eyes” Warren (Uzo Aduba) lidando com relacionamentos pessoais sendo uma das únicas representações de uma mulher queer negra com distúrbio mental; e um romance merecido aflorando entre Poussey e Soso. Mas a privatização da Prisão Litchfield desencadeia uma série de eventos que, através de histórias interconectadas, revela as diversas maneiras que o complexo da prisão industrial está complexamente abalado. Todo mundo—desde as presas queer que não são brancas mais privadas de seus direitos ao diretor Caputo, Bailey, o guarda ingênuo e outros no comando—se encontram aprisionados em um labirinto de violência sistemática. —Kat Savino

10. RuPaul Serviu Dose Dupla de Drag

A cada quatro anos, Mama Ru recompensa seus filhos devotos ao exibir não uma mas duas novas temporadas de Drag Race para a gente passar mal—e passamos mal. Apesar de termos feito uma previsão incorreta da vencedora da oitava temporada, Acid Betty, Naomi Smalls, Thorgy Thor e Kim Chi reviveram o reality show ao trazerem muito humor e estilo após a temporada anterior ter desapontado. Meses depois do término da oitava temporada, a segunda temporada de Drag Race All Stars deu vida nova ao formato de quase uma década com suas novas regras controversas de eliminação que permitiram que as competidoras, em vez da Ru, mandassem as queens embora. A mudança de regra permitiu que o trio menos talentoso, Rolaskatox, dominasse se livrando de Tatianna e Alyssa Edwards—duas queens que talvez fossem mais talentosas—apesar disso a competição continuou a render muito drama e vários GIFs para os fãs usarem. —Daniel Villarreal

11. Não Tem Como Ser Mais Queer Do Que Steven Universo

OK, já sabemos, já escrevemos muito sobre Steven Universo. O quanto mais queer um programa infantil pode ser? Eles sempre foram francos sobre ter personagens queers em seu mundo—inclusive uma das personagens é literalmente um relacionamento lésbico. Já estávamos no auge queer, certo? Pois é, aí eles fizeram um episódio inteiro sobre a Pérola pegando o telefone de um garota bonita. E é absolutamente incrível. Melhor episódio de todos? Com certeza. —M.K.

12. Stranger Things Nos Fez Torcer Por Heróis Marginalizados

Após Will Byers ser abduzido para um mundo inferior assustador por um demônio transdimensional, os bullys da sua escola cruelmente falam para os amigos do Will que ele provavelmente foi morto por “algum outro queer”, e continuam “Tem algum motivo para ficar triste? Will está na terra das fadas agora, né? Voando por aí com todas as outras fadinhas, todas felizes e gays”. Apesar dessa homenagem aos thrillers dos anos 80 pela Netflix ter uma criança médium andrógina com um cabelo raspado na máquina, a série não teve nenhum personagem visivelmente LGBTQ. No entanto, a maior parte de seus heróis marginalizados são chamados de pervertidos ou esquisitos, adicionando um toque assustador de queerfobia da era Reagan aos mistérios sombrios da temporada. —D.V.

13. Transparent Despedaçou um Mundo de Privilégio

Apesar de Transparent permanecer devendo no departamento de representação de raça, classe e gênero (identidade trans não é sempre binária), a terceira temporada incluiu mais alguns atores que não são brancos, e é nessa constelação deslumbrante de personagens secundários que o seriado realmente brilhou. No começo, temos uma pequena amostra da vida da Elizah, uma mulher trans negra suicida afetada pela estupidez bem intencionada de Maura, a típica mãe de uma trans da série. Mais tarde, testemunhamos um confronto de cortar o coração conforme Shea, uma profissional do sexo trans que é soropositiva, acaba com o Josh, filho de Maura, devido a sua insensibilidade. Esses personagens menores dão uma abertura ao mundo endinheirado e hedonístico de Transparent para deixar a luz do mundo real entrar. E a família Pfefferman é o melhor exemplo disso: eles não podem mais abandonar outros para se preocupar egoisticamente apenas com seu lugar solitário no universo; existe um mundo enorme de pessoas por aí para que eles descubram sua turma, para magoar e amar. —Tau Zaman

14. Titus Andromedon É A Nossa Gueixa Gay Favorita

Titus Andromedon, o amigo excêntrico que divide a casa com Kimmy interpretado por Titus Burgess, é um dos motivos que mantém essa série do Netflix sendo obrigatória. No terceiro episódio da segunda temporada, “Kimmy Goes to a Play,” Titus convence o público que ele era uma gueixa em uma vida passada. É difícil de convencer de início, mas depois que canta brilhantemente uma música folk tradicional japonesa, ele tem o público na palma da mão. Esse episódio hilário foi um grande motivo para fazer uma maratona da série do início ao fim. —Charles Thompson-Wang

15. Westworld Tirou as Calças dos Robôs… Repetidamente

Apesar de ter um personagem lésbico trabalhando nos bastidores do parque de diversões de robôs Westworld (RIP, Elise) e um técnico de laboratório que tenta em um episódio gozar enquanto acaricia o galã Hector (as coisas não acabam bem para ele, também), essa série de destaque da HBO não é tão gay assim na verdade. Claro, teve a cena de orgia em que Logan interpretado por Ben Barnes está pegando duas garotas e um cara, mas as coisas no geral eram mais hétero todo domingo a noite na HBO. Ainda assim, essa série aclamada pela crítica e frequentemente confusa entrou na nossa lista, pelo simples motivo de nos ter dado a grande quantidade gloriosa de pênis robóticos. Preto, branco, circuncidado, não-circuncidado—Westworld nos deu um buffet de pênis robóticos, algo que infelizmente está em falta na TV moderna. —Stephan Horbelt

16. Yuri!! on Ice Apresenta uma História de Amor Madura e Saudável

Yuri, em termos de anime e manga, normalmente significa que há a presença de lésbicas bonitinhas se pegando para agradar o público masculino. Pode ser que você não tenha interesse em Yuri!! on Ice por causa do título, mas não se engane! Nesse caso, Yuri é o nome de um (homem) patinador artístico que está inseguro e nunca soube o que era amar até conhecer Victor, seu novo técnico (que já foi uma estrela da patinação) chega. Combinando animações de patinação absolutamente maravilhosas—que já inspiraram patinadores de verdade—com uma história de amor que é madura, saudável e muito, muito gayYuri!! on Ice é um dos melhores programas nessa temporada da TV. —M.K.

17. @Midnight Faz a Gente Querer Ler De Novo

A única drag que já foi desclassificada de RuPaul’s Drag Race, Willam Belli, fez uma participação em @midnight esse ano, e ela estava hilária (e apareceu ao lado do comediante queer Justin Martindale, para completar). Esse episódio também apresenta um olhar detalhado sobre o trabalho do nosso autor favorito indicado ao Prêmio Hugo Chuck Tingle. Se isso não fosse motivo suficiente para fazer desse episódio um dos nossos momentos queer preferidos do ano, logo após a sua exibição, isso aconteceu:

Opa, espera, desculpa, a gente quis dizer isso:

Willam + Chuck Tingle — como não amar? —M.K.