In Memoriam: 6 Grandes Músicos Que Se Foram em 2016

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A lista de fim de ano mais difícil de escrever sempre foi a “In Memoriam,” mas a de 2016 é mais difícil ainda pela amplitude das nossa perdas musicais. A lista não é taxativa, porque a morte trabalhou pesado esse ano, levando artistas de todos os gêneros—Merle Haggard e Glenn Frey do Eagles entre eles—mas é um indicativo do nível de talento e da influência deixada.

1. David Bowie

Deveríamos saber a desgraça que 2016 seria quando foi anunciado em 10 de janeiro—apenas dois dias após o lançamento de seu 25º álbum Blackstar um dos nossos álbuns favoritos de 2016—que nosso “esquisito espacial” preferido, nosso diamond dog com brilhantina, nosso Thin White Duke … havia partido.

Por quase 50 anos o homem nascido David Robert Jones mas conhecido como David Bowie (e Ziggy Stardust, e Aladdin Sane, etc.) nos desafiou, e a ele mesmo, ao mudar de forma entre gêneros, meios, sexualidades e mais. Ele não era perfeito—como seus álbuns do final dos anos 80 e dos anos 90 provam—mas ele nunca parou de tentar.

Ele tentou nos dizer que podíamos ser qualquer coisa que quiséssemos ser—uma estrela do rock, uma estrela do cinema, uma pessoa da moda, um alien, até mesmo todos eles ao mesmo tempo—desde que você esteja decidido a isso.

Enquanto estava vivo, ele fez outros rock stars parecerem calmos  e sem graça em comparação a ele. Agora que ele se foi, será que vai ter alguém que consiga preencher o espaço deixado por ele?

2. Phife Dawg

Como um dos fundadores do A Tribe Called Quest, Malik Izaak Taylor conhecido como Phife Dawg pode não ter levado a política ao hip-hop, mas aperfeiçoou sua rima enquanto expandia—ao lado de Q-Tip e Ali Shaheed Muhammad—sua sonoridade.

Do People’s Instinctive Travels and the Paths of Rhythm de 1990 ao We Got It from Here…Thank You 4 Your Service desse ano (outro dos nossos álbuns favoritos de 2016), ATCQ lançou somente seis álbuns, mas a influência do grupo nunca foi tão nítida como nessa década.

E em tempos de Trump—quem Phife Dawg nos alertou em seus raps gravados antes de sua morte em março—sua visão e paixão vão fazer falta.

3. Prince

Rumores sobre a saúde de Bowie estavam rolando por um tempo. Phife Dawg lutava contra a diabetes desde 1990. Prince Rogers Nelson, no entanto … bem, até os últimos momentos, poucas pessoas tinha ouvido falar sobre qualquer problema, principalmente drogas.

Então sua morte em abril foi um choque e, quando finalmente foi anunciado que ele morreu de overdose de fentanil, era possível ouvir um suspiro coletivo de desapontamento.

Que banal—um rock star com um talento tão inovador sucumbindo para um dos piores clichês da indústria. Sua música, no entanto, aí é uma história diferente. Qualquer clichê que esteja em seus 39 álbuns de estúdio estão lá porque ele deu origem a eles. Um dia vai ser ótimo ouvi-los de novo, mas por enquanto estou dando um descanso.

Ao contrário de Bowie—que eu tenho escutado sem parar desde janeiro e que transformou a própria morte (e em consequência a vida) em um assunto para se explorar e celebrar—eu ainda não perdoei totalmente o Prince. Ainda dói ouvi-lo—aquele falsete que te deixa fraca, a batida forte dos anos 80, aquela sexualidade (isso é tudo que você vai precisar)—sem contemplar o enorme buraco que ele deixou para trás.

4. Leonard Cohen

Bob Dylan transformou a música em poesia. Leonard Cohen foi um poeta que se voltou para a música mas se manteve acima de tudo um homem das palavras. Isso não é para insinuar que ele não era “musical”—suas melodias folk dos anos 60/70 e sua modernização sintética alarmante dos anos 80 e posteriormente a fusão de ambos sempre foram interessantes.

Mesmo assim, quando se pensa no Cohen, se pensa mais na voz grave (e, nos anos finais, rouca), ou nas letras. Principalmente nas letras.

Desde sua estreia em 1967 ao You Want It Darker desse ano, Cohen retratou o amor em todas as suas permutações, política, espiritualidade, a vida pós-morte, tudo. Mesmo que você ache que não conheça o trabalho dele, você conhece: “Hallelujah,” o mais próximo que o mundo moderno chegou de sua própria “Amazing Grace,” se tornou um hino atemporal sendo regravado por quase todo mundo. E existem muitas outras.

Se você não está familiarizado com seu trabalho, e tem uma inclinação para o romantismo suave folk, ouça Songs of Leonard Cohen. Se você quiser uma versão moderna de distopia, não tem como errar com o I’m Your Man de 1988 e The Future de 1992. E se você quiser uma lição de como encarar a morte friamente, seu trabalho final You Want It Darker pode te dar um vislumbre do inevitável que aguarda a todos nós.

5. Sharon Jones

Apesar de sua carreira não ter decolado até 2002, Sharon Jones não desperdiçou seu tempo sentido pena de si mesma. Ela tinha quase 50 anos quando, com sua banda The Dap-Kings, lançou seu álbum de estreia, e lançou mais seis álbuns em 13 anos (incluindo o It’s a Holiday Soul Party) de 2015.

Ela era retrô, sem dúvidas, e tinha orgulho disso. Trabalhou tanto que ficou conhecida como a versão feminina do James Brown. E ela seguiu em frente até não poder mais. O câncer fez ela parar.

De qualquer modo, Jones deixou sua marca e se tornou um exemplo para todos os sonhadores de meia-idade que se perguntam se a chance deles já passou. Ouça o 100 Days, 100 Nights de 2007 ou o Give the People What They Want de 2014. E depois saia por aí e faça o que você que fazer. Sharon Jones te apoia.

6. George Michael

Sinceramente, 2016, vai se foder. Depois de ter acabado esse artigo, você nos deu uma surpresa de Natal que sem dúvidas nos faz querer devolver esse presente. Mas aqui estamos novamente—outra luz brilhante que se apagou precocemente.

Sim, o líder fotogênico do Wham! e também de aclamada carreira solo chegou ao seu apogeu nos anos 80, e apesar de ele nunca ter alcançado o sucesso de “Faith,” “I Want Your Sex” e “Freedom! ’90” novamente, todas as suas músicas tem algo que vale a pena ser ouvido, e todas elas compartilham do que o George deu mais generosamente ao mundo: aquele contratenor suave, expressivo e cheio de soul.

Ele também, conforme um amigo comentou ao saber do falecimento do George, “curtia uma barbinha bem antes da modinha.”

 

Traduzido por Rafael Lessa.

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