Nossas 12 Histórias Favoritas de 2016: A Escolha dos Editores

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Dizem que há apenas três tipos de histórias na mídia LGBTQ: ataques políticos aos queers, ataques aos queers literalmente e “homem tira sua camisa.” Mas aqui no Unicorn Booty, nós vamos além do óbvio para trazer artigos espirituosos e irreverentes que desafiam o pensamento convencional e oferecem maneiras novas e mais queer de ver o mundo.

Escolhemos 12 dos nossos artigos mais populares e controversos de 2016 que você pode ter perdido (um de cada mês). De leituras sérias a futilidades da cultura pop, vemos cada um como uma mini aventura para a sua mente e esperamos que eles te deixem empolgado para os diversos artigos incríveis planejados para 2017.

Sexismo de Hollywood em seu Pior Momento

Quase no início de 2016, a atriz de Star Wars, com então 59 anos, Carrie Fisher falou sobre fãs que criticaram ela por não ter o corpo de uma mulher de 20 anos. Infelizmente, o pensamento sexista permeia não só o fandom masculino mas toda Hollywood, assim como o colaborador do Unicorn Booty, R.S. Benedict, revelou. Observando os castings da vida real, Benedict descobriu uma coleção ridiculamente deprimente de papéis que reduzem mulheres jovens a objetos sexuais sem falas (incluindo vários que são particularmente odiosos que pedem para as mulheres mostrarem os seios momentos antes de serem mortas).

O Silêncio dos Inocentes, Mais Problemático do que Você Lembra

Para comemorar o aniversário de 25 anos de O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs), pedimos à crítica de cinema transgênera Nicole Gagne para revisitar o filme controverso ganhador do Oscar. Mas ao invés de rediscutir argumentos já batidos sobre sua transfobia (e é de fato transfóbico), Gagne reexaminou as falhas na trama e o ritmo estranho que prejudica seu status de “novo suspense emocionante rápido e espirituoso.” Ela concluiu que os cortes enganadores do filme e a fuga inacreditável não deixa o filme tão emocionante e nem tão rápido como os críticos recordam.

A Epidemia de Mulheres Lésbicas e Bis Mortas na TV

No começo de março, o drama de ficção científica pós-apocalíptico The 100 matou uma de suas amadas personagens queer, e o chororô dos fãs foi enorme: Os criadores da série não só mataram uma mulher lésbica/bissexual momentos depois de ela consumar seu relacionamento, mas também enganaram as espectadoras ao seguirem a onda do “mate seus gays”. O artigo do Islay Bell-Webb sobre esse clamor transcendeu a mera reclamação e se tornou um apelo apaixonado por melhores finais para personagens LGBTQ.

Por Que o Branco é o Padrão Para o Desejo Entre Pessoas do Mesmo Sexo?

No início de abril, os ativistas negros do Twitter agitaram as mídias sociais com #GayMediaSoWhite, uma hashtag criticando as publicações gays por repetidamente excluir homens que não são brancos. A crítica obrigou o redator Chaaz Quigley a examinar seu próprio racismo internalizado ao se assumir como um urso negro no Sul. Criado em uma mídia gay centralizada em brancos (como Beautiful Thing e Buffy the Vampire Slayer) e ignorado em bares de ursos brancos, Quigley se sentia indesejável em sua própria pele… isso é, até que ele descobriu um pornstar negro sexy e meio urso que se tornou seu ideal sexual. Agora ele abraça sua negritude e rejeita sem remorsos os caras brancos que ele desejava antigamente.

“Chorando Essas Lágrimas de Chupar Pau”

No mês de maio, o colaborador habitual (e vlogger e podcaster renomado) Matt Baume entrevistou Pat Haggerty, o primeiro cantor country assumidamente gay do mundo. Nos anos 70, Haggerty lançou um álbum chamado Lavender Country que incluía a música intitulada “Cryin’ These Cocksucking Tears” [Chorando Essas Lágrimas de Chupar Pau] , que foi banida das rádios. Apesar da música ter encontrado uma nova vida na internet 40 anos depois, Baume fez Haggerty recordar da criação do álbum, a cena gay do country nos anos 70 e a política gay atual.

Pais do Mesmo Sexo Saem do Armário dos Desenhos

No começo de junho, o desenho do Cartoon Network Clarêncio, o Otimista (Clarence) revelou que um de seus personagens tinha pais do mesmo sexo, seguindo a moda de pais gays, lésbicos e bissexuais em programas infantis. Nosso editor-chefe Matt Keeley encontrou cinco casais de pais do mesmo sexo em desenhos recentes—incluindo dois filmes da Disney—assim como vídeos de cada um deles mostrando como as crianças de hoje veem as famílias LGBTQ na telinha.

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Analisando a Queerfobia Por Trás dos Exames Anais Forçados

Oito países na África e no Oriente Médio realizam exames anais forçados para condenar homens e mulheres trans que sentem atração por homens. Longe de ser um exame médico de rotina, essas inspeções são um abuso e causam traumas sexuais em presos políticos como uma maneira de humilhar e intimidar comunidades queer. O editor sênior Daniel Villarreal analisou detalhadamente o relatório da Human Rights Watch sobre a prática, acrescentando informações adicionais sobre os direitos LGBTQ em cada país envolvido.

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Uma cena do fiasco do Asia LGBT Milestone Awards de 2016

O Homem que Enganou os Ativistas da China

Quando o ativista de longa data Adam Robbins atuou como juiz na premiação Asia LGBT Milestone Awards de 2016, ele esperava uma noite homenageando as pessoas por trás das iniciativas LGBTQ mais importantes da China. Em vez disso, ele testemunhou a comunidade local sendo enganada por Fu Yiqi (付㦤奇), um relações públicas mercenário a manipulador que usou o evento como um veículo glamouroso para promover sua empresa fraudulenta de relações públicas. Robbins compartilhou seu relato em primeira mão—acompanhado de alguns relatórios de investigação e fotos da premiação infame—como uma maneira de impedir que Fu engane mais pessoas.

O Maior Autor que Nunca Existiu

De 1999 a 2005, a música de 30 e poucos anos de San Francisco Laura Albert publicou livros sob o nome JT LeRoy, um profissional do sexo de 19 anos, sem teto, transgênero e soropositivo. Após ser exposta, Albert revelou que apesar de não ser um profissional do sexo de 19 anos, ela cresceu em uma casa sexualmente abusiva e sob os cuidados do Estado com pessoas que passaram por experiências similares a de LeRoy. Nós assistimos o documentário filmado em 2015 sobre as experiências difíceis de Albert (Author: The JT LeRoy Story, um dos melhores filmes de 2016), e depois tivemos uma conversa reveladora com ela sobre as pessoas por trás “do maior embuste literário do século 21” e as dificuldades de escrever como outra pessoa.

Jogando e Se Manifestando Contra o GamerGate

Em outubro, nosso colaborador Ben Allen foi até a GX4, a quarta convenção anual LGBTQ de games. (O Unicorn Booty foi seu patrocinador de mídia.) Depois de assistir um painel liderado por uma desenvolvedora de jogos que era queer e indígena, Allen analisou suas próprias esquivas diante da cultura gamer tóxica. Em vez de evitar a misoginia e racismo generalizados do movimento GamerGate, Allen sugere que os gamers queer e seus aliados enfrentem o ódio de frente e ajudem a recuperar o mundo dos games por todos as pessoas excluídas por aí.

A Evolução do “Gene Gay”

Se você já se perguntou por que a natureza faz algumas pessoas gays e outras héteros, o TEDx Talk do Dr. James O’Keefe sobre homossexualidade levanta possibilidades interessantes. O’Keefe evita teorias psicanalíticas antiquadas sobre pais ausentes e mães dominadoras assim como a “teoria do tio gay” que fala de tios gays que criam seus sobrinhos e em vez disso foca no campo mais recente da epigenética e um estudo famoso que liga os altos níveis de estresse durante a gravidez a filhos gays. As conclusões dele oferecem um novo conceito para que se veja a atração pelo mesmo sexo como uma vantagem evolutiva ao invés de uma desvantagem social.

Cometendo os Setes Pecados Capitais Gays

À medida que o ano se aproxima do fim e a gente avalia de quais hábitos temos que nos livrar, Daniel Villarreal listou sete dos piores pecados sociais para as pessoas gay (apesar da lista dele ser aplicável facilmente a qualquer um). Ele dispensou os “pecados capitais” clássicos—luxúria, gula—e sugeriu pecados novos como narcisismo extremo, dar bolo constantemente e votar na direita. Apesar do artigo ser irônico, ele determina uma penitência para cada um para que as pessoas possam levar uma vida mais autêntica e amorosa.

 

Traduzido por Rafael Lessa.