O Álbum de Natal da Big Freedia Tem a Safadeza Que Precisamos

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Tem sido um ano difícil, não só para a gente mas para a Rainha do Bounce, Big Freedia, também. Apesar da música de Sissy Bounce baseada em New Orleans ter começado o ano com uma aparição e participação vocal em “Formation” da Beyoncé, no início de março, ela foi acusada de roubo de fundos do governo. Ela resolveu isso, mas o resto do ano… bem, todos nós vivemos o tiroteio de 220 (e contando) cidadãos negros pela polícia americana e a eleição de um homem que prometeu estender a política racista de New York de “Stop and Frisk” [parar e revistar] para as vizinhanças urbanas por todo país.

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Então faz todo sentido que a Freedia e seus amigos se livrariam um pouco da tensão de fim de ano fazendo um álbum de natal que satiriza seus sucessos conservadores natalinos convencionais com interpretações modernas cheias de shade, deboche e muita bunda.

O álbum, A Very Big Freedia Christmazz, é um EP com cinco faixas que começa com “Rudy, The Big Booty Reindeer”, uma versão moderna de “Rudolph, the Red Nose Reindeer”, cujas letras iniciais parodiam as originais:

“Rudy, A Rena de Bunda Grande

tinha um traseiro muito grande

e se você visse balançar

te deixaria maravilhado.

Todas as outras renas

tentaram deixar ele com vergonha.

Ele desprezam Rudy

só porque ele não era igual a elas.

Então em uma esperada noite de Natal

Papai Noel veio falar,

‘Rudy, você só trabalha.

Me mostra como você dança twerk?’

E todas as outra renas

perceberam que elas estavam estressadas.

Rudy, A Rena de Bunda Grande

ensinou todas elas a rebolar.”

Depois da intro familiar, Big Freedia traz sua marca habitual de Bounce, rimando “Rudy” e “booty” com uma batida acelerada que vai fazer os ouvintes queimarem as calorias natalinas dançando twerk.

O álbum todo ridiculariza a infantilidade e inocência dos hits natalinos trazendo cânticos escrotos que remetem a frieza que os queer sofrem durante o inverno. Na segunda faixa do álbum, “So Frosty”, Freedia canta o seguinte insulto na melodia de “The Nutcracker Suite”… :

“Que tal você

voltar para

seu iglu?

Querida, cansei.

Você é uma vadia fria.”

… antes de perguntar repetidamente para a pessoa na música, “Você tem algum problema? Por que tão frio? Quem você odeia? Por que tão frio?”

Mas apesar do rebolado continuar na repetitiva e felizmente curta “Jingle Bell Rock”, o álbum diminui o ritmo e tem um tom mais político em “’Twas the Night”, quando Freedia revela seu verdadeiro motivo para fazer o álbum: trazer alegria e unir as pessoas, principalmente depois de aguentar abusos políticos como o tratamento desumano dado pelo presidente republicano George W. Bush durante o Furacão Katrina em 2005:

“… 2005

até os dias ficarem curtos e chegar Dezembro

ainda aparei a árvore, mas não senti a mesma coisa.

Perdemos tudo, então tínhamos que balançar

porque quando você entra no ritmo, ninguém consegue tomar.

Por que, eu vi fogo, alagamento e seca

vi pessoas morrerem, ouvi barulhos de tiros.

Mas mesmo assim eu sabia sem dúvidas

que eu nasci para fazer as pessoas dançarem.

Porque eu vi a música mudar a multidão.

Veja só, as pessoas se levantam ao se jogar.”

Black Santa, Larry Jefferson, Mall of America, Bloomington, Minnesota
Larry Jefferson, o Papai Noel negro no Mall of America de Minnesota.

Resumindo, se você foi bonzinho ou não, os políticos não vão te trazer nada esse ano. Então é melhor você ser bom em ser safadinho, algo que a Freedia faz com prazer ao fechar o álbum com “Santa is a Gay Man”, sua versão de “Mr. Sandman”, que não é uma música de natal, mas que se transforma em um desejo sexy de inverno saindo de seus lábios luxuriosos:

“Papai Noel, todo esse cabelo branco

você é tão peludinho — o meu urso polar!

Eu adoraria agarrar essa barriguinha

e fazê-la balançar que nem uma tigela de KY.

Papai Noel, bata essas bolas!

Eu quero um Papai Noel que seja grande, negro e alto.

Eu quero entrar nesse saco.

Talvez o Papai Noel seja um viado negro!”

Considerando as notícias de racistas em Minnesota surtando com o primeiro Papai Noel negro no Mall of America, a ideia do Papai Noel ser um viado negro é o carvão brilhante que a Freedia colocou na meia dos EUA. Olhe bem e pode ser que você veja seu próprio reflexo.

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