O MELHOR DE 2016: Classificamos os Nossos 10 Álbuns Favoritos Desse Ano

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1. Car Seat Headrest, Teens of Denial

Will Toledo, o líder de 24 anos do Car Seat Headrest, parece ter a idade que tem mas ao mesmo tempo sua sabedoria transcende seus anos. Seu segundo álbum pela Matador é o seu décimo no geral, e completamente diferente de quando ele trabalhava sozinho e furiosamente (gravando seus vocais no banco de trás de um carro; daí o nome). Ele é tão confuso como qualquer outro millennial, apesar de ser honesto sobre isso, e o conteúdo gay que está presente apenas está presente. Não tem qualquer problema, exceto pelo coração partido e culpa, como qualquer outra pessoa.  Sua sabedoria, no entanto, está na música — faixas longas e com diversas partes que crescem com ouvidas repetidas e faz uma homenagem a um passado que ele é jovem demais para ter vivido, mas que ele comanda com uma maestria natural que é quase prodigiosa. Escute: “Drunk Drivers/Killer Whales” (acima), “Vincent,” “Fill in the Blank

 

2. Beyoncé, Lemonade

Lançamento surpresa—como ela tem feito ultimamente—durante o último ano da presidência do Obama, a Ms. Knowles-Carter faz uma contabilidade (acompanhada de clipes/filme de alta qualidade) e ela não gosta do que vê. Homens infiéis, brutalidade policial, “Becky do cabelo bom,” a luta contínua contra o racismo que nem uma superstar consegue evitar—ela aborda tudo. Aos 35 anos, ela é uma artista mais forte do que nunca, e frente às piores adversidades eleitorais da história americana, sua mensagem subliminar de empoderamento não é só um aforismo no nível da Oprah. É super necessário. Escute: Formation,” “Sorry” (acima)

 

3. David Bowie, Blackstar

O homem que escreveu o livro de regras de como ser um rock star devidamente ao jogar o livro fora, ensina a todos uma lição de como morrer. Ok que ninguém sabia disso quando ele lançou essa música fantástica em janeiro, mas dois dias depois, ficou evidente que ele sabia. E apesar de poder ter sido doloroso mergulhar nessas sete faixas depois desse fato, foi em sua maior parte revigorante. Bowie foi, acima de tudo, um artista camaleão, e essas modulações de jazz nos desafiou, nos chamou, e—no fim das contas—nos confortou. Quase 12 meses desde seu lançamento e os mistérios de Blackstar ainda estão se desdobrando. Escute: “Lazarus” (acima), “Sue (Or in a Season of Crime)

 

4. A Tribe Called Quest, We Got It from Here…Thank You 4 Your Service

Inovadores que se tornaram inspirações (né Kendrick?), essas lendas do Queen lançaram essa obra póstuma tão boa quanto a do Bowie, mencionada acima. Apesar de eles terem começado essa reunião enquanto o membro Phife Dawg estava vivo, eles se mantiveram firmes depois de sua morte em março e o resultado não está no nível do melhor deles; porque pode ser que seja o melhor deles! Ele são muito visionários, tanto que os avisos do Phife sobre o futuro político—de quando o Trump ainda era considerado uma impossibilidade—são agora profecias. Escute: “We the People…” (acima), “The Donald

 

5. Drive-By Truckers, American Band

Caso existisse alguma dúvida de sobre que tipo de banda esses sulistas são—ou se tornaram—está no título. E apesar deles não serem apoiadores do partido republicano—longe disso—eles nunca deixaram de entender os pobres da classe trabalhadora que os liberais tendem a estereotipar, ignorar e marginalizar. Está no DNA deles. Assim como o questionamento do status quo—da NRA (Associação Nacional de Rifles da América) ao Black Lives Matter ao intolerável aumento de tiroteios em escolas—que eu gostaria que seus irmãos do sul emulassem. Escute: Ramon Casiano,” “What It Means” (acima)

6. Cowtown, Paranormal Romance

Tudo que eu sei sobre esse trio é que eles são de Leeds e eles estão em turnê e lançando música desde 2007. No entanto, como todo ano antes desse, um álbum desconhecido meio punk fica na minha cabeça e não sai mais, e em 2016 foi o desses caras e garota. Com 23 minutos, isso seria um EP se fosse de qualquer outro artista, mas com 12 músicas o ritmo extremamente acelerado e a paixão deles fazem ter o impacto de um álbum. Seguindo o estilo punk, isso significa em geral se queixar sobre inconveniências modernas como segurança, cafeína, emojis. Coisas importantes assim. Escute: Closed Circuit,” “Tweak,” “Emojicore

 

7. Cait Brennan, Debutante

O primeiro álbum da Cait Brennan é um exemplar perfeito de power pop—mas mesmo que não fosse, a história dela é incrível. Cait começou a se apresentar quando era adolescente no final dos anos 80, mais ou menos na mesma época que ela começou a transição. Depois de múltiplos episódios de violência, ela parou de se apresentar publicamente até 2010. Graças a uma campanha de sucesso no Kickstarter, ela conseguiu gravar seu álbum de estreia com o produtor aclamado Fernando Perdomo. Ela recentemente gravou material para o próximo álbum no famoso Ardent Studios, casa da banda lendária de power pop Big Star. Escute: “Underworld,” “I Want You Back” (álbum completo acima) —Matt Keeley

 

8. Kevin Abstract, American Boyfriend: A Suburban Love Story

Vamos agradecer o Frank Ocean pela sua coragem; sem ele, talvez não teríamos Kevin Abstract. As músicas sobre pessoas do mesmo sexo desse jovem cantor de R&B/hip-hop é um notável passo adiante—meio que tem uma vibe de trilha sonora para o filme Moonlight, pelo menos da perspectiva da temática. E apesar de ser heresia falar isso, eu prefiro o álbum mais recente do Abstract do que do Ocean, apesar de que eu fico feliz pelo mundo ser grande o bastante para termos os dois. Escute: “Empty” (acima), “Miserable America

 

9. Wild Beasts, Boy King

O melhor electro de 2016 é o mais sexual. Que dizer, esses caras britânicos com essa vibe artsy sempre foram excêntricos, só que agora eles são excêntricos eróticos. E se antes eles tinham sexo na cabeça, agora pelo som deles finalmente parece que está no quadril. Escute: Get My Bang,” “Ponytail” (acima)

 

10. Bon Iver, 22, A Million

O lançamento mais abstrato da carreira dele, que não é exatamente coesa, é também o mais bonito do Justin Vernon. Entre os bipes e glitches e samples e erosão digital estão suas melodias indeléveis, aquelas palavras e voz extravagantemente expressivas que—apesar de nem sempre ou quase nunca fazerem sentido literalmente—significam sua busca primitiva dissociativa pela transcendência, que ele alcança ao longo de 35 minutos. Escute: “22 (OVER S∞∞N)” (acima), “29 #Strafford APTS

 

Traduzido por Rafael Lessa.