Parada do Orgulho: Símbolo de Protesto LGBT Ou Adulação Corporativa Sem Vergonha?

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Entre as bandeiras do arco-íris balançando, carros alegóricos, e grupos LGBT marchando em qualquer Parada do Orgulho dos dias atuais, você também verá várias empresas: Chipotle, Heineken, Apple, Google, Facebook, Zipcar, Coca-Cola, Wells Fargo e AT&T — todas promovendo seus serviços com panfletos, acessórios e amostras grátis. Engraçado, considerando que a primeira Parada foi uma comemoração das rebeliões de Stonewall — a Parada tinha a ver com política e o direito de viver sem assédios, não preços baixos. Agora vários grupos estão ficando frustrados com o fato de que um evento que celebrava a coragem e o poder das pessoas homossexuais agora é mais uma ferramenta de marketing — um fenômeno que vem sendo cada vez mais aceito conforme as companhias entram em cena como aliadas do movimento LGBT. Queerbomb — um evento alternativo do Orgulho em Austin e Dallas, no Texas — e a velha organização (agora aparentemente extinta) Take Back Pride pretendem fazer exatamente isso: trazer o Orgulho de volta. (Revelação: O editor do Unicorn Booty é um membro fundador do QueerBomb de Dallas) queerbomb, pride, gays O QueerBomb de Austin se chama de “uma família de indivíduos LGBTQIA se reunindo para recuperar a linhagem radical, carnal e transgressiva de nossa comunidade sempre em mudança, ao celebrar toda forma e faceta de nosso povo como um único e vibrante todo”. QueerBomb e Take Back Pride esperam recapturar o significado e as origens da Parada, trazendo-a de volta às suas raízes e colocando o foco de volta nos problemas LGBT ao invés do comercialismo. Riley Kollaritsch — escritor e criador do site Project Queer — disse ao Chicagoist que a representação corporativa na Parada do Orgulho de Chicago esse ano passou a dos grupos LGBTQ. Seu gráfico mostra que houve 132 carros alegóricos ou pontos usados por corporações, comparado com 11 grupos LGBT, um grupo bissexual, um grupo trans, e cinco grupos relacionados com pessoas homossexuais de outras raças.

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“A Parada se tornou um espetáculo muito heterossexual recentemente”, disse Kollaritsch ao Chicagoist. “Não tem mais a ver com as raízes que iniciaram a Parada, e nem com as pessoas que a iniciaram”. A Parada começou em Junho de 1970 comemorando um ano de aniversário das Rebeliões de Stonewall — a revolta de uma semana entre os jovens da cidade de New York, negros homossexuais e policiais invadindo o bar gay popular Stonewall Inn. A rebelião trouxe o movimento de direitos civis LGBT aos holofotes nacionais. Assim, a Parada marcou a primeira vez em que a comunidade gay deixou claro ao mundo que eles estão aqui e vieram para ficar. Mesmo havendo corporações que de fato apoiem os direitos LGBT, a aceitação corporativa enfatiza o quão longe a comunidade LGBT chegou, e muitos feriados não-LGBT como o Natal e a Ação de Graças se tornaram sinônimos de compras, fato de que agora as corporações são mais predominantes na Parada do que gays de verdade minimiza os desafios políticos e sociais que pessoas LGBT ainda enfrentam, em vez de uma vitrine limpa. “Muitas das corporações que tomam parte acabam sendo bastante prejudiciais ao nosso movimento, como empresas de álcool que têm como alvo nossas comunidades, mesmo quando algo em torno de 30 por cento de nossa comunidade luta contra o alcoolismo e o vício em drogas“, disse Kollaritsch, “Eu gostaria de ter o apoio de uma empresa que realmente se importa, mas se for simplesmente alguém tentando tirar vantagem sem fazer nada de útil à comunidade, então eu não acho que seja nem um pouco apropriado”. Abaixo estão dois vídeos da QueerBomb: um das palestras da reunião de 2010 em Austin, e o outro promovendo o evento inaugural de 2014 em Dallas. (imagem em destaque via Shelley Neuman)

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