Trans Roxana Hernández morre na imigração esperando deportação

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Roxana Hernández, 33 anos e imigrante trans de Honduras, deixou o seu país devido ao risco que corria por sua identidade de gênero na América Central. Vindo numa caravana de refugiados, ela morreu sob custódia da polícia de imigração americana (ICE).

Hernández disse que contraiu HIV depois de ser estuprada por uma gangue enquanto caminhava para casa. “Pessoas trans da minha vizinhança são mortas e cortadas em pedaços, depois são colocadas em sacos de batata”, ela disse.

De acordo com a ICE, Hernández morreu de complicações relacionadas ao HIV depois de cinco dias de detenção. “Mas de acordo com ativistas que defendem os direitos dos imigrantes, as complicações poderiam ter sido resultado do confinamento que é popularmente conhecido como a “caixa de gelo”, nome dado devido às baixas temperaturas nas dependências da detenção.

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Roxana Hernández (right)

Em uma declaração anunciando a morte de Hernández, a ICE disse que tratamento médico adequado é fornecido aos detentos durante sua estadia nos centros de detenção.

“Todos os detentos da ICE recebem cuidados médico, dental e psicológico assim que chegam, nas primeiras 12 horas; tratamento completo de saúde dentro de 14 dias e acesso à emergência 24 horas”, segundo pronunciamento do centro de detenção.

A defesa da ICE também apontou que Hernández foi acusada de vulgaridade, imoralidade, conduta indecente e prostituição em maio de 2009 em Dallas, e também foi acusada de roubo quando estava nos Estados Unidos em 2006.

Jennicet Gutiérrez, organizadora nacional do Família: Movimento da Libertação Queer e Trans, disse que as passagens de Hernández são irrelevantes diante do fato de que ela morreu sob custódia da ICE.

“Eles são responsáveis pela sua morte. Mulheres trans continuam enfrentando violência dentro e fora dos centros de detenção, e são obrigadas a usar o sexo como forma de sobrevivência”, disse Gutiérrez. “Ela estava tentando encontrar segurança nos Estados Unidos, e, infelizmente, já não está mais entre nós. Nós exigimos respostas e justiça”.

Somando-se às baixas temperaturas que ela foi sujeitada, Hernández comprovadamente não recebeu comida ou assistência médica adequadas e estava trancada em uma cela onde as luzes ficavam ligadas 24 horas por dia.

Após sua morte, ativistas LGBTI lançaram uma campanha em sua defesa através das hashtags #JusticeforRoxana e #AbolishICE, e o Centro de Direito Transgênero (TLC) descreveu o tratamento que ela recebeu como “negligente”, também fazendo uma lista de reclamações, “incluindo que a ICE pare completamente de prender mulheres trans”.

“Se você tem um imigrante que chega mostrando problemas de saúde – incluindo o HIV e pneumonia – é considerado negligência colocá-lo em uma “caixa de gelo”, mesmo que por pouco tempo” disse Flor Bermúdez, diretora do TLC. “Eles causaram a morte dela”.

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