Especial A gente se cuida: Saúde sexual para tod@s!

Tem muita coisa nova quando o assunto é saúde sexual e HIV. Novos métodos de prevenção surgiram e dá para viver cada vez melhor com HIV. Para o mês do orgulho LGBT, nós do Conversaria Sem Tabu preparamos esse especial para homens gays e bissexuais.

Já ouviu falar de PEP de urgência, PrEP, indetectável? Sabe o que LGBTfobia tem a ver com HIV? É muita coisa, e aqui vamos te dar um panorama.

Escolha seu tema, leia, compartilhe, acesse. E, se puder, responda nossa pesquisa no final. A partir de sua opinião, desenvolveremos uma plataforma de informação para vários públicos, integrando e aprimorando nossas ferramentas. Quando a gente se informa, a gente se cuida. E se diverte! Bom mês do orgulho!

Gays da equipe do Conversaria Sem Tabu (seu espaço no Facebook para discutir e tirar dúvidas)

Coordenação do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo

  1. LGBTfobia e HIV
  2. Teste, o começo de tudo
  3. Puxando o assunto do HIV
  4. Medindo o risco das brincadeiras em transmitir o HIV
  5. Camisinha
  6. Gel lubrificante
  7. PEP de urgência
  8. PrEP
  9. Infecções sexualmente transmissíveis (IST)
  10. Hepatite A
  11. HIV e tratamento
  12. Tratamento como prevenção (TcP): estar indetectável
  13. Sexo sem camisinha, mas com consciência
  14. Fobia contra pessoas vivendo com HIV x postura HIV-neutra

 

  1. LGBTfobia e HIV

LGBTfobia é a discriminação contra pessoas LGBT. Mas o que LGBTfobia tem a ver com HIV?

Tudo. Imagine se um gay fosse aceito, desde cedo, na família, na escola e na sociedade. Teria mais apoio, informação e empoderamento – e, portanto, mais condições de se prevenir e de se tratar. Décadas de marginalização de gays e bissexuais fizeram com que o HIV se tornasse muito comum entre nós – portanto, poucos deslizes já bastam para adquirir o vírus.

HIV é uma realidade nossa, com a qual temos de aprender a conviver da melhor forma possível: uns prevenindo, outros tratando, todos respeitando, e todos lutando contra a LGBTfobia.

  1. Teste, o começo de tudo

Saber se você é negativo ou positivo é o primeiro passo para você cuidar de você mesmo e de seus parceiros. Se você tem medo do resultado, leia esse texto (especialmente os itens 11 e 12), chame um amigo e lembre-se: dá para se cuidar e viver bem, não importa qual seja o resultado.

Se você passou por uma situação de risco há poucos dias, é melhor esperar 30 dias, já que antes disso o teste não acusa. (Se você passou por uma situação de risco há menos de 72 horas, ainda dá para fazer a PEP de urgência em um hospital e evitar infecção; veja o item 7.)

Dá para fazer o teste em postos de saúde ou em trailers que ficam em locais frequentados pela comunidade gay. Há testes bem práticos hoje que ficam prontos em 20 minutos. Veja aqui onde fazer o teste de graça.

Vai começar a vender nas farmácias um autoteste com saliva (não tem vírus na saliva, só anticorpo).

 

  1. Puxando o assunto do HIV

Quem conversa sobre HIV fica mais tranquilo e se cuida melhor. Fingir que o HIV não existe é a prática mais arriscada de todas. Faz bem conversar com os amigos e também com os boys. Uma boa forma de começar é perguntar: “Você sabe o seu status para HIV?”. Mas antes, pense bem: você também vai falar o seu? Você confia na pessoa? Se você for negativo, você vai reagir bem a qualquer resposta?

No Brasil, o tabu é forte e as pessoas têm dificuldade para conversar. Se for o seu caso, se informe nesse especial (especialmente itens 11, 12 e 14), tire suas dúvidas no facebook do Conversaria Sem Tabu, no Whatsapp do Conversaria (11)991303310, ou no Disque-Aids (0800162550).

Quando estiver mais seguro, pense em começar a praticar essas conversas.

 

  1. Medindo o risco das brincadeiras em transmitir o HIV

Nem todo tipo de sexo tem o mesmo risco para transmissão do HIV. É importante ter em mente as diferenças para você e seu parceiro poderem decidir até onde vão, saberem como diminuir o risco e terem claro o que fazer depois. Isso se chama ‘gerenciamento de risco’.

Os níveis de risco abaixo são para sexo sem camisinha nem luva entre uma pessoa negativa e outra com HIV e carga viral alta (para entender carga viral, ver itens 11 e 12):

  • anal passivo (“dar”): risco muito alto, e maior ainda se deixar gozar dentro
  • anal ativo (“comer”): risco alto
  • oral, fazer (“mamar”) deixando gozar na boca: risco médio
  • oral, fazer (“mamar”) sem deixar gozar na boca: risco de zero a muito baixo
  • oral, receber (“ser mamado”): risco de zero a muito baixo
  • oral-anal, fazer (“cunete”): risco de zero a muito baixo
  • oral-anal, receber (“cunete”): risco de zero a muito baixo
  • com dedos (“dedar” e “ser dedado”): risco de zero a muito baixo, se o dedo não estiver machucado
  • “fisting” (sexo com o punho), fazer e receber: risco de de zero a muito baixo, se a mão não estiver machucada

 

Há coisas que podem ser feitas para diminuir o risco. Para fazer sexo oral (“mamar”), além de não deixar gozar na boca, é bom não escovar os dentes na 1 hora anterior ao sexo e fazer um acompanhamento regular com dentista.

Para penetração, o uso de gel também diminui a chance de transmissão, já que evita machucados.

 

  1. Camisinha

A camisinha é o único método que protege ao mesmo tempo contra HIV e também contra a maioria das infecções sexualmente transmissíveis (IST), e que você mesmo pode controlar, sem depender de ninguém. Precisa ser usada do começo ao fim da penetração. Deve ser guardada com cuidado e longe do calor para não se romper.

Você pode pegar camisinhas de graça nas unidade de saúde (postos, hospitais etc.).

A camisinha pode falhar algumas vezes, podendo se romper. Se isso acontecer, você pode precisar de PEP de urgência (ver item 7).

 

  1. Gel lubrificante

O gel lubrificante (à base de água) ajuda a dar mais prazer quando usamos camisinha, pois evita atritos. Também diminui a chance de transmissão de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), mesmo quando não se usa camisinha, por evita ferimentos.

 

  1. PEP de urgência

Se você deixou de usar camisinha e se arrependeu, ou se ela estourou, não se desespere. Existe remédio para isso, mas você precisa ser rápido. PEP (profilaxia pós-exposição) de urgência é um tratamento preventivo pós-sexo que pode eliminar o HIV antes que ele se fixe no organismo. A PEP deve ser começada em até 72 horas após o sexo, mas quanto mais rápido, melhor.

O tratamento é feito com três remédios anti-HIV, dura 28 dias e precisa de acompanhamento. A PEP de urgência não protege contra as outras infecções sexualmente transmissíveis. Saiba mais e onde encontrar aqui (há lugares que oferecem 24 horas).

 

  1. PrEP

A PrEP (profilaxia pré-exposição) é a mais nova forma de prevenção. É um tratamento preventivo para ser usado diariamente, de forma contínua, e que deixa a pessoa “blindada” contra o HIV. A chance de falha para quem usa todo dia certinho é insignificante.

Quem deve considerar usar PrEP é aquela pessoa que percebe que não está conseguindo usar camisinha sempre – algo que, para um homem gay ou bi, significa um alto risco de adquirir HIV.

A PrEP é feita com dois remédios anti-HIV em um comprimido só. Precisa fazer acompanhamento médico com exames.  A PrEP não protege contra as outras infecções sexualmente transmissíveis.

O Ministério da Saúde anunciou em maio a chegada da PrEP, que começará a ser distribuída no Sistema Único de Saúde (SUS) pouco a pouco a partir do fim desse ano. Em São Paulo, há pessoas usando a PrEP em pesquisas. Saiba mais sobre PrEP aqui.

 

  1. Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)

Existem muitas infecções sexualmente transmissíveis (IST). O HIV é também uma IST, mas a gente fala dele separadamente porque não tem cura e porque existem métodos de prevenção que só servem para o HIV.

As IST mais comuns são sífilis, gonorréia, clamídia, HPV e herpes. Muitas vezes, a pessoa tem IST e não sente nada. É por isso que não falamos mais “doença sexualmente transmissível” – doença é quando aparece, já a infecção pode não dar nenhum sintoma.

A maior parte das IST pegam tanto no sexo anal quanto no oral (“mamar”).

Ora, se pode não dar sintoma, e se pega até no sexo oral… é importante que homens gays e bissexuais façam exames para IST regularmente, independente de sentirem algo. As IST têm tratamento, e a grande maioria tem cura.  Saiba mais sobre IST aqui.

 

  1. Hepatite A

A hepatite A também pode ser transmitida por sexo. Resolvemos destacar essa doença aqui porque recentemente tem havido um aumento de casos entre homens gays e bissexuais em São Paulo.

Quando a pessoa tem hepatite A, o vírus sai pelo ânus, pelo cocô, e entra na outra pessoa pela boca. Então, é possível pegar por “cunete” (sexo oral-anal), ou, se você colocar o dedo ou punho no ânus do seu parceiro e depois levar a mão à boca.

A hepatite A geralmente é uma doença leve, às vezes a pessoa não sente nada. Porém, em casos raros, pode ser muito forte e até matar.

Existe vacina contra hepatite A, mas você  só vai consegui-la nos postos de saúde se você viver com HIV ou hepatites B ou C. Se você é HIV-negativo, só conseguirá a vacina no particular.

Para evitar a hepatite A nessa época, as dicas são: higiene do ânus, evitar “cunete” (sexo oral-anal), fazer “cunete” com um plástico filme para proteger, usar luva para “dedar” ou “fistar” (sexo com o punho), lavar a mão logo após “dedar” ou “fistar” sem luva.

Saiba mais sobre hepatite A aqui.

 

  1. HIV e tratamento

O HIV é uma condição de saúde, não uma doença. Mas, se não for tratado, a imunidade da pessoa enfraquece ao longo dos anos e a pessoa fica doente – nesse caso, a doença se chama aids. Porém, se tomar os remédios, isso NÃO acontece e é possível viver muito bem. Os remédios evoluíram muito ao longo dos anos.

Hoje se sabe que começar o remédio cedo ajuda a garantir mais saúde no futuro. Se você descobriu no começo da infecção e sua imunidade está boa, não é uma urgência começar o tratamento e você pode pensar e se acostumar com a idéia. Mas continue indo nas consultas e pergunte tudo para sua equipe de saúde.

Porém, se você demorou a descobrir e sua imunidade já está baixa, é importante começar o remédio o mais rápido possível.

A pessoa com HIV deve fazer acompanhamento médico e psicológico, consulta com assistente social, exames e vacinas. Um dos exames vai medir quanto de vírus tem no sangue (carga viral).

Se a pessoa tomar regularmente o seu remédio e ele funcionar, o exame não vai mais conseguir detectar o vírus no sangue – dissemos então que a carga viral dela está indetectável, ou que o HIV está controlado.

Estar indetectável não significa que a pessoa está curada, pois o vírus continua vivo em algumas partes do corpo, como os gânglios (ínguas). Mas isso é um ótimo sinal de saúde, de que os remédios estão funcionando. Estar indetectável também reduz muito a transmissão (ver item 12, abaixo).

Saiba onde começar ou retomar o seu tratamento aqui.

Existe um aplicativo chamado Cuide-se Bem, que te ajuda a seguir seu tratamento. Ele te lembra dos remédios e consultas, te ajuda a registrar efeitos colaterais, organizar exames e saber seus direitos. Está disponível para Androide Apple.

Existem muitas ONGs de apoio para pessoas vivendo com HIV, onde você poderá entender melhor sua condição e seus direitos.

Há uma lista de ONGs e grupos de apoio no estado de São Paulo aqui. Se você for jovem e quiser encaminhamento para uma ONG ou grupo de jovens no estado de SP, entre em contato aqui. Se você tiver mais de 30 anos e quiser encaminhamento para uma ONG ou grupo no estado de SP, clique aqui.

 

  1. Tratamento como prevenção (TcP): estar indetectável

Quando uma pessoa vive com HIV, toma os remédios certinho e eles funcionam, a quantidade de vírus no sangue fica tão pequena que o exame que fazemos para medi-la – chamado carga viral – já não consegue detectar vírus nenhum (ver mais explicações no item 11). Dissemos nesses casos que a carga viral está indetectável, ou que o HIV está controlado.

Hoje sabemos que, para uma pessoa que está com HIV indetectável há pelo menos seis meses e que toma seus remédios todo dia, o risco de transmitir o vírus é muito próximo de zero. Nenhum caso de transmissão nessas condições foi provado.

Se a pessoa para de tomar os remédios certinho, a carga viral pode subir e volta o risco de transmitir. Veja no item 13, abaixo, como o casal pode aplicar isso.

Se a pessoa com HIV não for indetectável, camisinha continua sendo um ótimo método, e a PrEP será uma nova alternativa para o parceiro negativo nesses casos (veja item 8).

 

  1. Sexo sem camisinha, mas com consciência

Existem métodos que podem evitar a transmissão do HIV mesmo sem uso de camisinha. Mas isso deve ser feito com disciplina e, principalmente, comunicação entre os parceiros. É importante também que, no caso de se expor a infecções sexualmente transmissíveis (IST), sejam feitos exames periódicos, mesmo sem sintoma (ver item 9).

  • Acordo de monogamia: a fidelidade é um método antigo de prevenção, e muitos de nós não teriam nascido se nossos pais não o tivessem usado. A vantagem é que protege de HIV e também de outras ISTs. A desvantagem é que exige confiança no parceiro e uma comunicação muito boa.
  • Acordo de relação aberta com camisinha fora da relação: relações abertas são comuns entre gays e bissexuais. Para que um casal aberto que não usa PrEP (ver item 9) possa abrir mão da camisinha, é preciso o compromisso que todo sexo fora da relação será feito com camisinha, e que qualquer descuido será avisado ao parceiro, e que isso não será um drama – só vão ter que voltar a camisinha por um tempo. Uma desvantagem é que mesmo usando camisinha nas penetrações fora da relação, dá para pegar ISTs no sexo oral. Outra desvantagem é que exige confiança no parceiro e uma comunicação muito boa.
  • Você usando PrEP (ver item 8): quando usada corretamente, protege praticamente 100% do HIV. A desvantagem é que não protege de outras ISTs. E exige a disciplina de você tomar seu remédio certinho e estar em dia com seus exames. A vantagem é que só depende de você, não dependendo de você confiar ou não no seu parceiro. É importante você contar para o seu parceiro sobre a PrEP para que vocês decidam juntos como será o sexo. Se você deixar de tomar seu remédio, é importante avisá-lo.
  • Só seu parceiro usando PrEP (ver item 8): se você é negativo, seu parceiro também e só ele usa PrEP, a chance de ele pegar HIV é próxima de zero, mesmo que ele transe sem camisinha com outras pessoas. Mas é necessário que seu parceiro tome certinho o remédio e esteja em dia com os exames. A desvantagem desse método é que exige confiança no parceiro e uma comunicação muito boa – ele precisa te avisar se ele parar de tomar o remédio direito. Outra desvantagem é que não protege de outras ISTs.
  • Você sendo indetectável (ver item 12). Se você vive com HIV, toma remédios todo dia e está indetectável há mais de 6 meses, a chance de você transmitir o HIV é próxima de zero. E a chance de pegar um outro tipo de HIV resistente também é mínima. A desvantagem é que não protege de outras ISTs. E exige a disciplina de você tomar seu remédio certinho e estar em dia com seus exames. É importante você contar para o seu parceiro sobre sua condição para que vocês decidam juntos como será o sexo. Se você deixar de tomar seu remédio, é importante avisá-lo.
  • Seu parceiro sendo indetectável (ver item 12). Se você é negativo e tem um parceiro positivo e ele está indetectável há mais de 6 meses, a chance de ele transmitir o HIV para você é próxima de zero. Mas é necessário que seu parceiro tome certinho o remédio e esteja em dia com os exames. A desvantagem desse método é que exige confiança no parceiro e uma comunicação muito boa – ele precisa te avisar se ele parar de tomar o remédio direito. Outra desvantagem é que não protege de outras ISTs.

 

  1. Fobia contra pessoas vivendo com HIV x postura HIV-neutra

O medo, desprezo ou ódio às pessoas vivendo com HIV é uma fobia que é chamada de sorofobia, estigma, preconceito ou outros nomes – ainda não há um nome forte e claro. Essa fobia ameaça a saúde pública e os direitos humanos. A fobia prejudica as pessoas vivendo com HIV ao fazer com que elas se isolem, deprimam e abandonem o tratamento. Muitos dos que morrem hoje de aids, doença que não precisaria mais existir, morrem por causa da fobia.

A fobia prejudica negativos fazendo com que eles finjam que o HIV não existe e se arrisquem sem necessidade. Assim, muitos pegam HIV e vários nunca fazem exame com medo de todo o peso que a fobia representa – continuando, assim, a transmitir. Outros descobrem tarde demais, e morrem.

Uma postura de neutralidade em relação ao status de HIV é uma questão de respeito e de saúde pública. Entender o que significa HIV hoje e as diversas formas de se cuidar é a melhor cura para essa fobia. Acesse os links e compartilhe esse texto. Não há mais motivos para o HIV ser esse peso todo para a comunidade LGBT.

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