A Única Maneira de Parar a Cultura Gamer Tóxica: Comece a Se Manifestar

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Unicorn Booty é um patrocinador de mídia do GX4 (GaymerX). Esse artigo é baseado em um de seus painéis, mas para a nossa cobertura completa do GX, clique aqui.


Eu tenho um relacionamento turbulento com os videogames. Eu comecei como um gamer. Eu jogava obsessivamente desde os 6 anos, quando eu persuadi meus pais a me dar um NES, e, bem, a primeira vez que eu joguei The Legend of Zelda, a primeira vez que eu coloquei aquele cartucho dourado no novo NES com a tampa frontal, pronto. Eu sabia, com certeza absoluta, que eu gastaria meu tempo o quanto humanamente possível fosse jogando o maior número de jogos possíveis. Quando meus amigos se reuniam, a gente jogava. Quando a gente não estava jogando, a gente falava sobre jogos. Quando a gente não estava falando sobre jogos, a gente estava lendo a Nintendo Power e fantasiando sobre todos os novos jogos que poderíamos jogar. “Gamer” era minha identidade central, era uma parte tão profunda do meu estilo de vida que eu quase nem pensei nisso. Eu jogava jogos. Ocasionalmente, eu ia para a escola. Isso é quem eu era.

Como você provavelmente sabe, gaming ficou meio idiota do meio para o final dos anos 90. E, bem, eu tenho que confessar que eu gostava de uns jogos idiotas. O primeiro Duke Nukem 3D? Eu achava super divertido. Tinha uma arma congelante. Tinha uma arma encolhedora. Você podia preparar armadilhas. Era tão legal! Eu lembro claramente que eu não tinha nem um pouco de noção que poderia ser um pouco errado que as únicas personagens mulheres no jogo eram strippers dançando estupidamente em um loop contínuo, que Duke podia jogar dinheiro para elas até se entediar e estourar elas em pedaços sem qualquer motivo.

Quando eu fui para a faculdade, eu acordei para algumas coisas. Eu comecei – desajeitadamente, mal – a interrogar a misoginia que eu tinha absorvido na minha vida na zona de garotos que era a web nos anos 90. Eu comecei a olhar torto para as pessoas que usavam “gay” com o sentido de algo idiota ou ruim ou errado. E apesar de eu sempre ter mantido alguns jogos no meu computador –Sim City 4, Nethack, Angband – eu nunca joguei os multiplayers online porque, bem, eu não podia evitar as grosserias sem sentido, então eu não jogava. Eu com certeza não me identificava como um gamer. Essas pessoas eram horríveis, eles eram garotos selvagens apenas esperando por mulheres e pessoas queer e pessoas que não eram brancas para odiar, e eu não queria participar disso. Eu tinha superado isso. Eu não queria que ninguém me confundisse com um deles. Na verdade, eu me peguei me afastando da cultura nerd no geral – era algo errado e infantil que eu sabia que tinha que deixar de lado para me tornar um adulto decente. Eu queria manter isso afastado de mim. Eu queria permanecer puro.

Então me coloquei no armário dos games.

GaymerX 4 é a primeira convenção de games que vou, apesar de ter morado por anos bem perto do centro de conferência onde a PAX (Penny Arcade Expo) é realizada. Eu imaginei que essa seria segura – ninguém me confundiria com um GamerGater na convenção inclusiva, LGBTQ, livre de dickwolves.

Então estou participando do meu primeiro painel na GaymerX, ouvindo a Renee Nejo, desenvolvedora do EverJane, um MMO foda sobre a Jane Austen, falar sobre suas experiências como uma mulher nativa americana na indústria dos games. E eu me peguei sentindo uma vergonha profunda e intensa. Porque ela era alguém que tinha toda a maldade direcionada a ela, e ela lidou com isso e eventualmente aprendeu a revidar. Não de cara – de início ela pensou que ela deveria tentar ser a “garota descolada” que anda com os caras e finge que o que eles dizem não é ofensivo e pactua com eles. E então, finalmente, quando ela não podia mais fazer isso: ela apenas ficava sentada calada, não participava, nem contestava.

Mas aí ela ficou com raiva. E então ela começou a mudar as coisas.

E aqui estou eu, sem partes de mim, não porque a maldade da cultura gamer era direcionada a mim, mas só porque eu estava com medo de ser confundido com alguém que participava disso. Ao fazer o que eu achei que tinha que ser feito para me tornar um adulto, me esconder, eu me trai. O que é pior, eu tinha feito menos do que nada pelas pessoas que de fato são excluídas pela cultura excludente dos games.

Agora existe um mundo dos games indie – um mundo belo e frágil – que é inclusivo e progressista e gentil e bom e inteligente de todas as formas que o GamerGate é estúpido e regressivo e cruel, e eu não sei absolutamente nada sobre ele.

Suponho que essa seja uma maneira longa de dizer: por favor não seja eu. Se você está em um espaço que tenha normas grosseiras, e se você não for o alvo da grosseria, e se você sair desse ambiente só porque você não quer se visto com uma dessa pessoas grosseiras, você está se decepcionando e está decepcionando as pessoas que são alvo dessa grosseria. Não vá embora. Ir embora é o oposto de ajudar. E você precisa ajudar. Você precisa ficar e revidar.

(imagem em destaque via Junkie Bot)