A Verdadeira e Esquisita História Por Trás do Musical Clássico “A Pequena Loja dos Horrores”

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No vigésimo terceiro dia do mês de setembro, em um ano do começo de uma década não muito antes da nossa, a raça humana repentinamente encontrou uma ameaça mortal à sua existência. E esse inimigo assustador veio à tona, assim como os inimigos frequentemente fazem, no lugar aparentemente mais inocente e improvável.

Assim começa a narração de abertura de A Pequena Loja dos Horrores (Little Shop of Horrors). No vigésimo terceiro dia do mês de setembro, nesse ano, pensamos em dar uma olhada na história por trás desse clássico incrível.

Como que conseguiram fazer um filme a partir de A Pequena Loja dos Horrores? A premissa do filme é tão absurda — uma planta malvada chega na Terra para exigir sangue humano de um botânico despretensioso e domina o planeta — que parece que a coisa toda é uma grande piada.

E na verdade, é uma piada. Mais ou menos. A origem do filme se deu lá em 1960, quando o diretor de orçamento-super-baixo Roger Corman recebeu acesso a alguns cenários que foram usados para filmar outro filme. Trabalhando rápido, Corman surgiu com uma ideia de comédia de terror baseada em suas experiências frequentando cafeterias em Los Angeles. Originalmente, era sobre um vampiro crítico musical; depois era sobre um chefe que cozinhava seus clientes; e então finalmente o chefe virou uma planta para que a violência não entrasse em conflito com a censura.

Eles estavam supostamente bêbados quando eles terminaram de delinear a história.

A maioria dos atores da versão do Corman eram atores que já haviam trabalhado em outros projetos dele, e ele teve que agendar a gravação rapidamente para evitar que as leis da indústria mudassem para que exigissem que ele pagasse mais aos atores pelas suas performances. Jack Nicholson faz uma breve aparição, e diz que ele “fez muita merda esquisita.”

Vinte anos se passaram desde que o filme foi lançado, e então de repente ele estava de volta — mas no palco. Alan Menken e Howard Ashman criaram uma sátira dos filmes trash de terror dos anos 60, ajustaram com música, e foi um sucesso inacreditável. Era apenas uma questão de tempo até que um remake fosse exigido, uma vez que a versão do palco foi produzida pelo magnata do cinema David Geffen.

Inicialmente, Martin Scorsese supostamente ia dirigir o filme em 3-D; depois disso, John Landis foi chamado. Mas o cargo por fim foi para Frank Oz dos Muppets, que transformou o musical do teatro em uma extravagância da telona. Outras escolhas originais que recusaram o projeto: Cyndi Lauper e Barbra Streisand, ambas recusaram o papel de Audrey.

Eles filmaram no palco enorme do 007 no Pinewood Studios, e descobriram que o soundstage era tão grande que não podia ser aquecido direito. A respiração dos atores fazia fumaça quando ela saia de suas bocas, então eles tinham que chupar cubos de gelo antes de filmar para que não houvesse uma diferença de temperatura.

Mas o esforço mais impressionante era o boneco gigante da planta. Audrey II era filmada em meia velocidade, e então as imagens eram aceleradas para que a planta parecesse se mover mais rápido. Haviam 60 técnicos a operando.

A maior controvérsia do filme diz respeito ao final, que era originalmente bem chato. Os personagens principais eram mortos e a Terra era destruída — e o público odiou. Um final feliz foi refilmado apressadamente, mas o final original “verdadeiro” ainda existia por aí. Em 1998, o DVD lançado incluía imagens em preto e branco com um som de baixa qualidade horrível. Quando descobriu isso, David Geffen exigiu que fosse retirado das prateleiras.

Finalmente em 2012, a Warner Brothers lançou uma versão quase toda restaurada do final,  embora com alguns ajustes, em uma gloriosa qualidade HD. É um final bizarro para a vida de uma história que era apenas para ser uma encheção barata de linguiça escrita para cenários usados.

Publicado anteriormente em 17 de junho de 2016.