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Você Poderia Matar Alguém? Refletindo Sobre “Não Sou Um Serial Killer” Cinema

Você Poderia Matar Alguém? Refletindo Sobre “Não Sou Um Serial Killer”

Written by Daniel Villarreal on October 24, 2016
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Dizem que quando você vive em um zoológico você mata mais coisas do que mantém viva: dezenas de ratos para alimentar a casa dos répteis, por exemplo.  Considerando que cerca de 96,8% de toda humanidade come carne, você provavelmente ajudou a matar inúmeras vacas, frangos, porcos e peixes só para ler esse site. Todos somos vampiros até certo ponto, tirando vida para prolongar a nossa nesse imenso zoológico que chamamos de Terra. Muitos tem medo de reconhecer nossa posição na cadeia alimentar porque nós gostamos de pensar que somos pessoas boas e amáveis, mas somos animais; o impulso de matar está em nós desde Caim e Abel. Os americanos, também são fascinados por serial killers, em parte para entender nossos próprios impulsos homicidas, quanta dor podemos aguentar e o que, se é que tenha algo, poderia nos impedir de matar.

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O filme “Não Sou Um Serial Killer” é baseado no primeiro livro de Dan Well da saga juvenil de 2009 com o mesmo nome. O filme recentemente estreou no Festival de Cinema South by Southwest (SXSW) de 2016.

John Cleaver, o jovem protagonista do filme de Billy O’Brien Não Sou Um Serial Killer (I Am Not A Serial Killer), compartilha essa fascinação mórbida: ele embalsama corpos na funerária da mãe, ele faz trabalhos de escola sobre Jeffrey Dahmer e sobre o Assassino BTK (uma sigla em inglês para amarrar, torturar e matar) e o terapeuta dele o diagnostica como um sociopata, aconselhando-o a elogiar as pessoas que fazem bullying com ele em vez de enfiar um garfo na jugular deles.

John (interpretado por Max Records, o garoto de Onde Vivem Os Monstros (Where the Wild Things Are)) vive isolado em uma cidade do interior de Clayton, Minnesota — ele vem de uma família desunida, só tem dois amigos (um colega da escola excluído e seu vizinho idoso, interpretado por Christopher Lloyd), e fica obcecado com o novo serial killer da cidade: uma pessoa (ou coisa) que literalmente despedaça o interior das pessoas.

Para se proteger, John passa o seu tempo lendo sobre assassinos e sobre ocultismo na biblioteca da escola e começa a perseguir seus vizinhos, curioso sobre quais poderiam ser o assassino. Certamente, o próprio John poderia ser o assassino também, afinal, ele sempre está por perto quando outra vítima morre. Mas a sua raiva da sociedade é apenas um de muitos motivos possíveis.

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John se esconde na floresta enquanto rastreando seu psicopata interno.

A verdade é que, no centro-oeste cheio de neve, muitos assassinos em potencial cercam o John — caçadores, policiais, adolescentes insatisfeitos, idosos doentios e pais em luto — cada um com as próprias razões para, seja em defesa de um ente querido ou medo cego e ódio. O diretor Billy O’Brien envolve seus espectadores no ato: muitos de nós vemos assassinatos todos os dias a nossa volta — em guerras no exterior, hospitais sem recursos e nas ruas das cidades — e pouquíssimos de nós fazem alguma coisa para acabar com eles; chamamos de vida, chamado de Terra.

O verdadeiro horror no trilher-cômico de O’Brien não vem do culpado, vem dos danos que causamos uns aos outros todos os dias, os relacionamentos que rompemos e muitas pequenas mortes que lentamente transformam pessoas em assassinos lendários.

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