Xavier Dolan Quer que Você Saiba que Ele Não é Passivo

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Ele é adorável, inteligente e incrivelmente talentoso, mas caso você se perguntasse, Xavier Dolan não é passivo!

O ator/roteirista/diretor dos filmes Eu Matei Minha Mãe (J’ai tué ma mère), Mommy e do recente ganhador do Cannes Grand Prix É Apenas o Fim do Mundo (Juste la fin du monde)—assim como do clipe da Adele “Hello”—não teve nenhum problema em se abrir para a Vulture (de maneira figurada) semana passada sobre o que ele faz na cama, apesar do propósito da entrevista ser o seu filme mais recente. A gente só queria que o anúncio de suas inclinações sexuais não fossem cobertos de típicos estigmas sociais aplicados aos passivos.

Em meio a conversa sobre É Apenas o Fim do Mundo, que a propósito é o candidato do Canadá para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro desse ano, a entrevista tomou bruscamente um rumo para o sexual:

O que você ganha ao atuar que você não ganha produzindo filmes?
Atuar é liberador. Produzir filmes não é liberador — a solidão e as responsabilidades te consomem. Quando você está atuando, você está libertando algo, e quando você está dirigindo, você está absorvendo tudo.

Você parece bem desinibido como ator. Eu não consigo lembrar de outro diretor que deu onscreen em seu primeiro filme.
Quer saber de uma coisa? Eu acho que não faria isso atualmente. E eu nem sou passivo, na verdade, se formos tocar nesse assunto.

Vamos tocar nesse assunto.
Ok. Para onde que é isso mesmo? [Risos.]

O seu filme Tom na Fazenda (Tom à la Ferme), na minha opinião parece ser sobre um passivo. Até no jeito que foi filmado é essa dança entre o protagonista submisso e um ativo dominador.
É uma dança. Eu não tenho nenhum problema em me colocar em uma posição submissa. [Pausa.] Você está tentando me fazer confessar? Você está tentando fazer eu me assumir como passivo?

Se assuma como você quiser. Existe também “vers.”
Eu não sou.

Você é estritamente …
Eu sou estritamente.

Não temos nenhum problema com a conversa levando um rumo sexual—na verdade, amamos quando as pessoas famosas perdem suas inibições e falam francamente sobre sexo, e queremos mais disso—mas por que esse tom do Dolan? Não é vergonha nenhuma ser passivo no sexo, da mesma maneira que não há nenhuma superioridade em ser o ativo. Quando vamos superar essa noções preconcebidas de posições sexuais (que, vamos ser sinceros, provavelmente derivam de uma misoginia enraizada)? Ser um homem gay que gosta de ser passivo não deveria precisar de uma segunda instância de “se assumir”. Sem passivos, ser um ativo com certeza seria entediante.

Ah, e ser “estritamente” qualquer coisa na cama é entediante.

Pronto, falei.