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Conferência da AIDS em Amsterdã: “Nada para nós, sem nós”, reforçam jovens

Sentado no centro do palco, segurando um microfone, Chinmay Modi e uma dúzia de jovens responderam a perguntas sobre HIV durante um painel para jovens na 22ª Conferência Internacional de AIDS 2018 em Amsterdã.

O jovem de 25 anos que nasceu com HIV, contou sobre sua luta para acessar serviços de saúde. “Na Índia, o sexo é um grande tabu. Um adolescente de 16 anos não pode comprar preservativos, por exemplo, e os pais precisam dar o seu consentimento para que façam o teste de HIV”. Ele disse que educar crianças e pais é fundamental. Seu maior desejo é pressionar a criação de serviços específicos voltados para jovens.

Dany Stolbunov, da Ucrânia, ecoou esse sentimento, dizendo “Nada para nós, sem nós”. Ele disse que em sua região o estigma e a discriminação impedem que as pessoas acessem os serviços de saúde. Ele lamentou o fato de que os jovens na Ucrânia têm informações limitadas e não são vistos como uma prioridade. “Estamos prontos para lutar por nossos direitos”, acrescentou ele, explicando que os jovens têm voz e querem usá-la.

 

FATOS SOBRE HIV

  • Em 2017, havia aproximadamente 250.000 novas infecções por HIV e 38.000 mortes relacionadas à AIDS entre adolescentes e 1.8 milhão de adolescentes vivendo com HIV em todo o mundo.
  • Meninas adolescentes na África Subsaariana são desproporcionalmente afetadas por novas infecções por HIV, representando 56% das novas infecções por HIV entre adolescentes no mundo.
  • O HIV é uma das principais causas de morte entre adolescentes (10 a 19 anos).

 

Bruna Martinez acredita fortemente que uma ampla educação sexual, discutindo questões de gênero, saúde e prazer, não apenas reduziria o estigma, como também reduziria o medo que os adolescentes sentem do HIV. “O HIV não deve ficar no vácuo”, disse ela. “Somos uma geração que pode discutir sobre sexo e isso é ótimo; por isso, forneça as ferramentas que apontam as coisas a nosso favor”.

Todos concordaram que adolescentes e jovens devem ter uma maior participação para acabar com a epidemia do HIV. A demanda deles é clara: vai de bolsas de estudo até o empoderamento. Melodi Tamarzians, Embaixadora Holandesa da juventude para a saúde e direitos sexuais e reprodutivos, disse: “Não preencha a parte dos jovens dando-nos uma posição simbólica”. Em sua opinião, para capacitar os jovens, os adultos precisam investir neles e dar-lhes funções consultivas.

A AIDS 2018 se orgulha de dar um espaço maior aos jovens em Amsterdã. Os jovens e os pesquisadores juniores representaram mais de um terço das apresentações apresentadas na conferência, de acordo com o organizador da conferência, a Sociedade internacional de AIDS (International AIDS Society—IAS). Além disso, os jovens obtiveram a maioria das bolsas de estudo, mais do que em qualquer outra conferência. A Vila Global (um espaço de entrada gratuita na área da conferência) apresentava o maior espaço concebido e dirigido por jovens. Incluía uma área de lanches, um mini campo de futebol de salão, uma área segura para teatro, atividades lideradas por jovens e cabines para gravação de rádio, um estande de camisetas contra a AIDS e até uma exposição sobre a vagina.

Martinez voluntariou-se e depois trabalhou com a Força Jovem de Amsterdã (Amsterdã Youth Force) que mobilizou e organizou outras pessoas para fazer com que os jovens tivessem espaço próprio. “Nesta conferência, mostramos a todos o que poderíamos oferecer”, disse ela que espera que esta significativa presença juvenil seja levada adiante. “É importante que não sejamos atendidos, mas sim, muito mais, que sejamos reconhecidos”, disse ela, com seu crachá da AIDS 2018 cheio de bottons e adesivos.

Ela vê seu recente trabalho com a Força Jovem como uma maneira de mudar as coisas. “Ainda há muitos jovens infectados pelo HIV e morrendo. Isso significa que estamos falhando e o sistema não está funcionando”, disse Martinez. Na sua opinião, a política de HIV também tem que vir de baixo para cima. Ela enfatizou a educação entre pares e a valorização do conhecimento local. Em pé diante de uma enorme frase ‘Vamos encarar o HIV juntos’, ela disse: “Nós falamos a linguagem dos jovens e sabemos o que estamos vivendo, então nos reconheçam plenamente.”

 

Este artigo é uma cortesia da UNAIDS