Escritora chinesa
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Escritora chinesa é condenada por publicar livro erótico gay

Escritora chinesa foi condenada a dez anos de prisão após publicar um livro que contém cenas eróticas gays, o que provocou grande indignação no país asiático, onde as autoridades censuram o conteúdo homossexual ao equipará-lo com a pornografia e abusos sexuais.

Segundo o portal MaisPB, a romancista, de sobrenome Liu e conhecida sob o pseudônimo Tianyi, foi condenada por um tribunal da província de Anhui (no leste) porque o seu livro “Gongzhan”, que relata a história de amor proibida entre um professor e um estudante, contém “um comportamento sexual obsceno entre homens” e “atos sexuais pervertidos como violações e abusos”.

Segundo um relatório policial citado pelo jornal oficial “Global Times”, a polícia precisou que foram vendidos mais de 7 mil “exemplares pornográficos” da obra, dos quais a autora obteve “lucro ilegais” de 150 mil iuanes (cerca de US$ 21,6 mil) em poucos meses.

“Está afastada de todas as mudanças que aconteceram na sociedade”, afirmou o advogado Deng Xueping ao jornal “South China Morning Post”. Apesar da homossexualidade ser legal na China desde 1997 e ter sido desqualificado como desordem mental em 2001, uma grande maioria dos chineses a vê como uma doença, enquanto este coletivo, que na China é formado por cerca de 70 milhões de pessoas, carece de qualquer tipo de proteção.

O sociólogo e sexólogo chinês Li Yinhe também opinou que embora a escritora tenha “violado a lei, uma sentença de um ano seria demais, imagina então uma de dez anos”. A decisão judicial também provocou indignação nas redes sociais, onde os usuários do Weibo, similar ao Twitter, criticam que outros crimes mais graves como os abusos sexuais não recebem um castigo adequado no país asiático.

“Vídeos que mostram atos ou relações sexuais ‘anormais’ como o incesto, a relação homossexual e a violência ou o abuso sexual devem ser eliminados”, detalha uma regulação sobre conteúdo na internet lançada em 2017.