A dívida do filho gay: cobranças familiares e culpa não podem tirar nossa liberdade

A dívida do filho gay: cobranças familiares e culpa não podem tirar nossa liberdade

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A dívida do filho gay com a mãe, principalmente, é uma cobrança que surge a partir de uma pseudo-aceitação dessa mãe com a sexualidade do filho. Mas os problemas começam quando ela acredita que, por tê-lo aceitado, ele deve algo a ela.

Tempo, amor, dedicação, dinheiro e tudo o que envolve a carência afetiva dessa mãe pode ser usado como arma de chantagem emocional a fim de manter esse filho mais próximo, desencadeando um novo dilema na vida dele: sou aceito, mas não vivo minha vida.

Muitos filhos gays se veem no dilema de não poder sair de casa, não conseguir constituir sua própria família e acabar virando um cuidador da mãe que colocou nele essa responsabilidade. E o tempo perdido no armário acaba se somando ao tempo de não poder viver sua liberdade.

Assista vídeo “A dívida do Gay”:

Há, ainda, a pressão para que esse filho, “apesar de gay”, “aceito em casa”, espelhe um padrão de comportamento social que essa mãe aceita. Isso é uma falácia da aceitação, visto que, segundo a especialista Edith Modesto, para o Universa, “Mãe que diz que filho precisa ser discreto não o aceita”.

Há uma discussão sobre esse filho gay ter outros irmãos e essa responsabilidade com os pais na velhice não ser dividida de forma igualitária. É preciso diálogo com a família como um todo, para fazê-los entender que ser gay não é ser sozinho e que sim, os propósitos de vida são iguais para todos.

Filho gay não é cuidador de mãe, salvo exceções e contextos. Ele é mais um filho que pode, e deve, ter sua própria vida, família, se quiser, sair de casa quando achar que deve e não resguardar culpa, nem ceder a pressões como “eu sempre te aceitei, então você tem que fazer isso”.

Aceitar o filho gay um é dever dos pais, se eles não o cumpre, que uma outra forma de convívio seja delineada, mas sem culpa, sem cobranças e sem medo de ser livre.

Sobre o autor

Marcio Rolim é editor de conteúdo do Hornet e do site Observatório G para os quais já escreveu mais de 3 mil artigos de spbre comportamento LGBTQIA+ e também produz conteúdo para o canal Bee40tona no Instagram e no YouTube.

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