Conheça grupo que luta por direitos LGBT no Oriente Médio

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Em todo o mundo, as pessoas LGBT têm sido forçadas a sob governos cada vez mais hostis. Ser homossexual é considerado crime em mais de 70 países. Gays, lésbicas, bissexuais e transexuais são presos, torturados e assassinados. O Oriente Médio tem sido uma região particularmente homofóbica com casos recentes no Egito e Irã com repercussão internacional. No Líbano, no entanto, houve alguns avanços modestos em grande parte devido ao trabalho duro de ativistas LGBT como Georges Azzi.

Como parte da nossa campanha #DecriminalizeLGBT, destacamos o trabalho da Arab Foundation for Freedoms (AFE). Conversamos com o diretor executivo Georges Azzi para saber como o ativismo pode ter impacto na vida das pessoas LGBT

 

Hornet: O que sua organização está fazendo para ajudar a promover os direitos LGBT no Líbano?

Azzi: As principais atividades da AFE de apoio a ações que promovam igualdade de gênero e ativismo LGBT no mundo árabe, fornecendo aos ativistas apoio logístico, material e instrumentos legais para que eles possam realizar seu trabalho. Recentemente abrimos o primeiro centro de mídia de gênero e sexualidade da região.

Além disso, a AFE mantém um centro de estudos onde realiza pesquisas sobre gênero e sexualidade em vários países do Oriente Médio e Norte da África em um banco de dados on-line, acessível a todos.

Quais são os maiores problemas enfrentados por LGBTs no Líbano?

A situação no Líbano melhorou muito desde 2004. Desde o início do movimento, a comunidade LGBT é muito mais visível. O relacionamento com as autoridades melhorou graças a essa visibilidade e à nossa aliança com membros da sociedade civil e da mídia.

Nós tivemos muitas vitórias. Os exames anais foram banidos e vencemos vários processos judiciais. Mas mesmo que a polícia não receba ordens oficiais para reprimir a comunidade, eles também não foram instruídos a parar de prender LGBTs. A reação da polícia varia dependendo da área em que estão operando.

O que você aconselha aos ativistas LGBT na região do Oriente Médio que queiram fazer mais pela comunidade?

Quando começamos a primeira organização no Líbano em 2009, não tínhamos uma referência na região. Agora, existem mais de 20 organizações trabalhando com direitos LGBT por aqui. No entanto, o movimento crescente também pode enfrentar uma reação crescente. É por isso que é importante aprender uns com os outros, apoiar uns aos outros e garantir que somos capazes de responder à homofobia a nível nacional e regional.

Também devemos encontrar aliados não-LGBT. Esses aliados desempenham um papel crucial quando nos deparamos com a perseguição do Estado. Nossos aliados na mídia, na sociedade civil e no sistema legal tiveram um papel importante.

Qual tem sido sua experiência pessoal com a repressão oficial?

As repressões em espaços LGBT diminuíram consideravelmente desde 2005. Quando começamos a trabalhar publicamente pelos direitos LGBT no Líbano, a polícia costumava invadir lugares frequentados por LGBTs com muita freqüência. Naquela época, não tínhamos aliados na mídia como temos agora.

Mesmo como ativistas, quando anunciamos a criação do Helem (centro LGBT no Líbano) em 2004, fomos interrogados pela polícia várias vezes. Felizmente, havíamos trabalhado na construção de alguns sistemas de suporte antes lançarmos uma organização LGBT. A polícia pode ser muito direta ao intimidar os defensores dos direitos humanos, e eu pessoalmente enfrentei interrogatórios diretos e ameaças indiretas. Felizmente, isso parou em 2008.

O que e preciso fazer para acabar com políticas anti-LGBT no Líbano?

Acho que integrar a conversa sobre os direitos LGBT é a razão pela qual tivemos tantos avanços. Precisamos continuar fazendo isso e aumentar nossa rede de apoio, especialmente dentro da esfera legal e política. Precisamos aprender a trabalhar com o sistema para tentar mudá-lo.

Como as pessoas podem apoiar os esforços de ativistas LGBT em torno da questão da descriminalização?

É importante lembrar que os direitos LGBT não são um luxo. As pessoas nunca devem dizer: “Esta não é uma prioridade agora”. Ouça e compartilhe nossas histórias. Apoie-nos quando pedirmos apoio e falarmos sobre a descriminalização. Aumente a consciência sempre que tiver a oportunidade.

O que as pessoas que vivem fora da região podem fazer para proteger e defender os direitos humanos e civis de LGBTs?

Não há dúvida de que nosso trabalho foi possível com o apoio de nossos parceiros internacionais, e isso está além do apoio financeiro. Muitas organizações pressionam o governo a oferecer apoio político quando necessário, sem mencionar o papel da mídia internacional ao dar visibilidade aos nossos problemas. Também é importante promover e apoiar nossos aliados internacionalmente.