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Conheça grupo que luta por direitos LGBT no Oriente Médio Escolhas do Editor

Conheça grupo que luta por direitos LGBT no Oriente Médio

Written by Alex Garner on March 23, 2018
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Em todo o mundo, as pessoas LGBT têm sido forçadas a sob governos cada vez mais hostis. Ser homossexual é considerado crime em mais de 70 países. Gays, lésbicas, bissexuais e transexuais são presos, torturados e assassinados. O Oriente Médio tem sido uma região particularmente homofóbica com casos recentes no Egito e Irã com repercussão internacional. No Líbano, no entanto, houve alguns avanços modestos em grande parte devido ao trabalho duro de ativistas LGBT como Georges Azzi.

Como parte da nossa campanha #DecriminalizeLGBT, destacamos o trabalho da Arab Foundation for Freedoms (AFE). Conversamos com o diretor executivo Georges Azzi para saber como o ativismo pode ter impacto na vida das pessoas LGBT

 

Hornet: O que sua organização está fazendo para ajudar a promover os direitos LGBT no Líbano?

Azzi: As principais atividades da AFE de apoio a ações que promovam igualdade de gênero e ativismo LGBT no mundo árabe, fornecendo aos ativistas apoio logístico, material e instrumentos legais para que eles possam realizar seu trabalho. Recentemente abrimos o primeiro centro de mídia de gênero e sexualidade da região.

Além disso, a AFE mantém um centro de estudos onde realiza pesquisas sobre gênero e sexualidade em vários países do Oriente Médio e Norte da África em um banco de dados on-line, acessível a todos.

Quais são os maiores problemas enfrentados por LGBTs no Líbano?

A situação no Líbano melhorou muito desde 2004. Desde o início do movimento, a comunidade LGBT é muito mais visível. O relacionamento com as autoridades melhorou graças a essa visibilidade e à nossa aliança com membros da sociedade civil e da mídia.

Nós tivemos muitas vitórias. Os exames anais foram banidos e vencemos vários processos judiciais. Mas mesmo que a polícia não receba ordens oficiais para reprimir a comunidade, eles também não foram instruídos a parar de prender LGBTs. A reação da polícia varia dependendo da área em que estão operando.

O que você aconselha aos ativistas LGBT na região do Oriente Médio que queiram fazer mais pela comunidade?

Quando começamos a primeira organização no Líbano em 2009, não tínhamos uma referência na região. Agora, existem mais de 20 organizações trabalhando com direitos LGBT por aqui. No entanto, o movimento crescente também pode enfrentar uma reação crescente. É por isso que é importante aprender uns com os outros, apoiar uns aos outros e garantir que somos capazes de responder à homofobia a nível nacional e regional.

Também devemos encontrar aliados não-LGBT. Esses aliados desempenham um papel crucial quando nos deparamos com a perseguição do Estado. Nossos aliados na mídia, na sociedade civil e no sistema legal tiveram um papel importante.

Qual tem sido sua experiência pessoal com a repressão oficial?

As repressões em espaços LGBT diminuíram consideravelmente desde 2005. Quando começamos a trabalhar publicamente pelos direitos LGBT no Líbano, a polícia costumava invadir lugares frequentados por LGBTs com muita freqüência. Naquela época, não tínhamos aliados na mídia como temos agora.

Mesmo como ativistas, quando anunciamos a criação do Helem (centro LGBT no Líbano) em 2004, fomos interrogados pela polícia várias vezes. Felizmente, havíamos trabalhado na construção de alguns sistemas de suporte antes lançarmos uma organização LGBT. A polícia pode ser muito direta ao intimidar os defensores dos direitos humanos, e eu pessoalmente enfrentei interrogatórios diretos e ameaças indiretas. Felizmente, isso parou em 2008.

O que e preciso fazer para acabar com políticas anti-LGBT no Líbano?

Acho que integrar a conversa sobre os direitos LGBT é a razão pela qual tivemos tantos avanços. Precisamos continuar fazendo isso e aumentar nossa rede de apoio, especialmente dentro da esfera legal e política. Precisamos aprender a trabalhar com o sistema para tentar mudá-lo.

Como as pessoas podem apoiar os esforços de ativistas LGBT em torno da questão da descriminalização?

É importante lembrar que os direitos LGBT não são um luxo. As pessoas nunca devem dizer: “Esta não é uma prioridade agora”. Ouça e compartilhe nossas histórias. Apoie-nos quando pedirmos apoio e falarmos sobre a descriminalização. Aumente a consciência sempre que tiver a oportunidade.

O que as pessoas que vivem fora da região podem fazer para proteger e defender os direitos humanos e civis de LGBTs?

Não há dúvida de que nosso trabalho foi possível com o apoio de nossos parceiros internacionais, e isso está além do apoio financeiro. Muitas organizações pressionam o governo a oferecer apoio político quando necessário, sem mencionar o papel da mídia internacional ao dar visibilidade aos nossos problemas. Também é importante promover e apoiar nossos aliados internacionalmente.

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