A hiper-sexualidade da comunidade gay: é possível viver sem?

A hiper-sexualidade da comunidade gay: é possível viver sem?

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A hiper-sexualidade da comunidade gay impulsiona nossa comunidade há anos. Através de clubes, saunas, filmes e outros ambientes e manifestações de arte com carga sexual. Mas, ao entrarmos em uma nova década, os homens homossexuais poderão viver sem essa hiper-sexualidade sendo pauta nos debates ou presente em nossas vidas?
Vamos ser sinceros, a hiper-sexualidade gay está em nossa cultura há séculos. Desde os tempos da Grécia antiga, até as Paradas do Orgulho em cima dos trios elétricos, e até os aplicativos de encontros, filmes gays e videogames gays do presente, a hiper-sexualidade manteve presença.
O homem gays se coloca em situações insalubres por causa de nosso apego a sexo arriscado, um exemplo novo é um estudo recente que descobriu que 24% dos homens gays do Reino Unido fizeram sexo casual durante o confinamento.
Há que se considerar também que nem todos os homens gays são iguais. Nem todo homem gay quer sair para clubes e festinhas de sexo, anônimo ou ser frequentador de saunas. Com o passar do tempo, essa parte da sociedade gay está ficando maior e mais forte.
À medida que a homossexualidade e as pessoas LGBTQ se tornam mais aceitas pela população em geral, espera-se que sigamos as regras comuns. Isso significa que os aplicativos gays precisam seguir as regras familiares da loja de aplicativos, os filmes precisam diminuir a exposição sexual se quiserem incluir a representação LGBTQ para que não percam em marketing e bilheterias conservadoras e muito mais.
Há dois anos, o Tumblr, que costumava ser um ótimo espaço para blogueiros gays e espectadores de conteúdo adulto, anunciou que proibiria todo o conteúdo adulto. Isso foi uma resposta à loja de aplicativos da Apple, que retirou o aplicativo de seu serviço por violar políticas. O mesmo aconteceu com outros aplicativos na esfera digital gay.
Além disso, a atual pandemia de coronavírus colocou muitos espaços gays em situações perigosas. A histórica Royal Vauxhall Tavern, que é um ponto de acesso para a comunidade gay da Inglaterra e que já abrigou Freddie Mercury e a princesa Diana como patronos, anunciou que possivelmente está enfrentando fechamento e despejo. O local recorreu ao financiamento coletivo para combater a falência. Este é apenas um estabelecimento entre muitos com circunstâncias semelhantes.
Infelizmente, tudo isso levou ao apagamento de alguns espaços gays. Com os gays se encontrando através de aplicativos ou outros espaços, as casas de banho e clubes gays estão se fechando e desaparecendo. Ou, eles estão se abrindo para públicos héteros / cis e mudando completamente a natureza dos espaços. Quantos de nós já entraram em um “bar gay” e viram festas de despedida de solteiro ou ouviram DJs heterossexuais tocando?
Tornar-se popular pode ser bom e ser gay não é apenas sobre sexo. Nossas vidas equivalem a mais do que ficar em becos. O conteúdo LGBTQ está em ascensão, basta pensar no recém-lançado Love, Victor, do Hulu, que destaca um retrato normalizado da existência de LGBTQ. É sobre um adolescente que acaba de descobrir sua sexualidade e o que ele quer no amor e na vida. Todos nós podemos ser como Victor. Podemos ser mais do que apenas clubes.
Sobre os espaços, merecemos ainda ter esses espaços preservados e presentes em nossas vidas. Enquanto houver homens gays / bi, haverá pequenos bares, casas de banho e clubes que oferecem espaços para atividades sexuais. Enquanto houver homens com tesão, haverá jogos sexuais e filmes para nos divertir. A sexualidade, hiper ou não, prosperará de alguma maneira.
Dito isto, também temos que aceitar que os aspectos hiper-sexuais da sociedade gay estarão em declínio no futuro. À medida que formos mais aceitos pelo público em geral, seremos menos capazes de participar abertamente de espaços hiper-sexuais. A sociedade gay está mudando e precisamos apenas entender se essa mudança é saudável para nossas vidas ou vai tirar de nós algo da qual não conseguimos viver sem.

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