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Madonna, o ícone LGBTI que quebrou barreiras, completa 60 anos

Madonna, o maior ícone pop global da comunidade LGBTI – e a cantora mais bem-sucedida de todos os tempos – completa 60 anos de idade no próximo 16 de agosto. Em seus 35 anos de carreira, foram muitos os momentos em que gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis se viram representados em sua obra. Basta alguns minutos no Google para verificar que ela foi a primeira artista pop do primeiro escalão a levantar a bandeira LGBTI, e o fez numa época em que a simples menção da palavra “gay” era um enorme tabu. Nos anos 1980 e 1990, as pessoas LGBTI eram diretamente associadas a AIDS, pecado, morte e promiscuidade pela maior parte da sociedade.

Mas desafiar o sistema e quebrar barreiras sociais sempre foi o “hobby” de Madonna. A artista botou sua conta em risco e abraçou a causa da nossa comunidade, da qual sempre foi genuinamente próxima, desde muito antes de ser uma estrela. E pagou um preço alto por isso. Nem sempre as polêmicas lhe garantiram sucesso comercial. E também não faltam vídeos no YouTube com entrevistas nas quais ela é criticada e ofendida com comentários preconceituosos feitos por jornalistas homofóbicos e misóginos, todos ferozmente repreendidos pela estrela, como uma leoa defendendo a si e os seus filhotes.

De 1983, quando lançou seu primeiro disco, até os dias de hoje, Madonna deu inúmeras declarações e lançou diversos trabalhos (entre músicas, clips, shows, filmes e até um livro) representando, defendendo e enaltecendo o amor e o sexo em todas as suas formas, o mundo gay, a cultura drag, bem como a tolerância e o respeito pelas diferenças. Seria impossível resumir 35 anos de closes certos em um artigo. Considerando a importância de seu pioneirismo em trazer a causa LGBTI dos guetos para os meios de massa, veremos a seguir como foi o início dessa relação de Madonna com a bandeira do arco-íris em sua obra.

 

O mega hit Vogue

Um dos maiores hits de toda a sua carreira nada mais é do que uma homenagem aos bailes de Vogue dos guetos nova iorquinos. Para quem está assistindo à série “Pose” ou já viu o documentário “Paris is burning” (disponível na Netflix) a letra desse hino gay de Madonna ganha um novo significado. Madonna trata explicitamente da cultura desses bailes e da relação de escape de frequentadores. Como ela canta e vemos na série e no documentário, toda a dor da pobreza, do preconceito e da AIDS era esquecida pelos LGBTI quando se montavam e iam dar close nos clubs.

“Vogue” alcançou o número 1 na Billboard e vendeu mais de 6 milhões de cópias mundialmente, sendo a single mais vendido do mundo naquele ano. Ou seja, Madonna popularizou em todo o planeta uma cultura do gueto negro-pobre-latino-gay de Nova York. Fez o mundo inteiro dançar como as “bichas pobres de NYC”. Mais do que isso, ela foi lá buscar bailarinos que eram reais frequentadores dos bailes para participarem do clip de “Vogue” e futuramente da revolucionária turnê “Blond Ambition”. O premiado vídeo é uma obra de arte coestrelada por pocs fazendo poses e realizando belíssimos passos de Vogue.

 

Na Cama com Madonna

Para quem nunca assistiu, “Na cama com Madonna” (1991) é um filme documentário sobre os bastidores da turnê “Blond Ambition” de 1990.  O longa revela, entre outras coisas, o dia a dia de Madonna e seus sete bailarinos, seis deles gays (bem assumidos e resolvidos). São duas horas de muita pinta, mostrando seis bichas afeminadas bem-sucedidas, talentosas, destemidas e amadas pelo público viajando o mundo na companhia da maior estrela pop do momento.

 

Na cena em que a trupe joga verdade e consequência, além da clássica cena em que Madonna simula sexo oral numa garrafa, tem ainda um longo beijo cheio de língua entre dois bailarinos. Para muita gente, foi o primeiro beijo gay visto no cinema. Um verdadeiro choque de realidade exibido em grandes salas de cinemas de todo o planeta e em incontáveis canais de TV mundo afora. As pessoas, definitivamente, não sabiam esperavam ver tanta “bichisse” no filme. “Na cama com Madonna” foi até 2002, o documentário mais bem-sucedido da história do cinema, faturando mais de US$ 27 milhões de dólares (o equivalente a US$ 52 milhões atualizados em 2017). Veja mais sobre o documentário.

 

O livro Sex e a fase Erotica

Pense na cantora pop que você considera a mais influente e famosa do mundo na atualidade. Pensou? Agora imagina essa cantora sendo fotografada nas seguintes situações: 1) nua dando um beijo grego num homem; 2) usando um vestido de gala entre strippers de um club gay, todos nus; 3) amarrada numa cadeira beijando uma mulher enquanto outra chupa um dos seus seios; 4) no meio de um banheirão gay; 5) Olhando para a própria vagina refletida num espelho; 6) só de calcinha no colo de um sugar daddy; 7) num ménage inter-racial com direito a beijo de língua e muita mão naquilo e aquilo na mão. Madonna fez tudo isso e muito mais para o seu audacioso e polêmico livro “Sex”, de 1992.

Lançado um dia antes do disco “Erotica”, o livro – esgotado em todo o mundo em poucas semanas – mostrava Madonna em variadas e inusitadas situações sexuais com homens, mulheres, sozinha, ora em estúdio e locações, ora na sua própria casa e às vezes na rua mesmo em plena luz do dia. Com “Sex”, Madonna direcionou os holofotes a diversas orientações, minorias, fetiches e gostos sexuais. Mais uma vez a comunidade lgbt se viu luxuosamente representada pela maior estrela pop do planeta fazendo aquilo que eles gostavam de fazer, mas a sociedade condenava.

 

Este texto é uma contribuição do usuário Daniel Garrido, DJ que tem em seus sets divas pop e hits do momento se misturam com o clássico e o alternativo. E para comemorar o aniversário da rainha, vai rolar um Madonna Bday no dia 11 de agosto Galeria Café, no Rio de Janeiro. Confira página no Facebook e todos os detalhes da ferveção!

 

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