Meninos trans podem ser ativos também, pênis não é tudo

Meninos trans podem ser ativos também, pênis não é tudo

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Meninos trans são frequentemente vistos nos aplicativos de encontros gays cada vez mais e, a ocupação desse espaço democrático se deve à luta de pessoas trans e a desgenitalização do sexo. Desgenitalização? Exatamente, o sexo não precisa (ou não deve) estar ligado ao genital da pessoa.

Naturalmente que é muito difícil transgredir esse processo, mas neste vídeo, conto como consegui pular essa etapa do sexo gay (menino com menino) dialogando com um menino trans no Hornet. O interesse era mútuo, mas por acreditar que ele sendo trans e não possuindo um pênis, a única chance de sexo entre nós, seria eu sendo ativo: ERRADO!

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Amores, neste vídeo eu cometo um GRAVE erro ao dizer que a pessoa nasceu menina e a um dado momento entendeu sua identidade e transicionou. NINGUÉM NASCE MENINO OU MENINA, a pessoa é designada ao nascer a uma identidade ligada ao seu genital a partir de uma estrutura binária normativa. O TORNAR-SE é um processo temporal de autocompreensão. MIL PERDÕES POR ESTA FALA, o vídeo é sobre a presença de meninos trans no app e eu acabei, por tentar tornar didático demais o texto, me empolgando na superficialidade. SEGUE TEXTO ORIGINAL: Um beelover me questionou sobre a presença de meninos trans nos apps de pegação e a discussão foi mais além do que eu imaginava. E mais gostosa também #homemtrans #appdepegação #gaydaddy #gayvideos #gayculture #igtv #segueocanal #linknabio #lgbtfobia #transfobia

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Nada como um breve diálogo com amigos para entender que, muito além do sexo com genitais, a gente pode transar com os dedos, com a língua, com dildos, com a pele, cheiro, palavras e muito mais. Penetração não é uma regra quando o assunto é gozar e muito menos dar prazer a alguém.

Meninos trans são estigmatizados como “meninos de buc***”, expressão transfóbica que deve ser apagada do nosso dia a dia, porque um pênis genital está longe de ser determinante de gênero e o sexo desgenitalizado é uma questão de desconstrução, de enxergar a pessoa trans como opção para afetos e sexo além do genital.
O fato é que nós, gays, que nos interessamos por homens, por vezes perdemos o interesse em homens trans pela “falta” do pênis, e não nos damos conta de que esse detalhe é fruto de uma educação falocêntrica e machista e essa etapa só pode ser superada quando nos dermos conta de que o interesse é pelo homem que ali está.

É um longo processo, soltar as amarras do genital e desfrutar de um sexo amplo, com todas as partes do corpo e com alguém que se tem interesse além do genital é libertador. É tudo uma questão de se permitir. E os meninos trans estão aqui no app à espera do nosso encontro.

Marcio Rolim é editor de conteúdo do Hornet para o qual já escreveu mais de 3 mil artigos de sobre comportamento LGBTQIA+ e também produz conteúdo para o canal Bee40tona no Instagram e no YouTube.

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