Professor de direito da USP chama casais LGBTs de aberração

Professor de Direito da USP chamou, aa última segunda-feira (25), casais LGBT de aberração e ainda criticou pessoas pobres. O docente da Universidade de São Paulo (USP) Eduardo Lobo Botelho Gualazzi distribuiu aos alunos do curso de Direito um texto em que defende a ditadura militar, chama partidários da esquerda  de “energúmenos” e diz que casais do mesmo sexo são agrupamento de “tarados”. As informações são do jornal O Globo.

Em alguns trechos do documento de 12 páginas, está escrito elogios à “raiz europeia” da nação brasileira, além de críticas às famílias que não são formadas pela união de um homem e uma mulher da mesma etnia.

“Não é família, mas apenas aberração, qualquer agrupamento, casual ou intencional, transitório ou não, clandestino ou ostensivo, de tarados ou taradas, sobrecarregados com o estigma de comportamento objetivo/subjetivo de perfil desviante, discrepante daquele padrão ideal de ‘família conjugal’, constituído pela união de um homem com uma mulher. Se alguém tiver alguma dúvida, pode consultar a Espécie Humana!… União homem/mulher da mesma etnia!…”,  diz o texto.

Professor de direito

Questionado pela reportagem do O Globo, o professor afirmou que não tinha “nada para conversar com ninguém” e completou: “Leia minha aula e seja muito feliz com ela”.

Esta não é a primeira vez em que o professor de direito de 72 anos se envolve em questões polêmicas. Em 2014, época em que a ditadura militar completava 50 anos, foi filmado por alunos enquanto defendia o regime. À época, a aula intitulada de “Continência a 1964” foi recebida com protestos.

Em resposta às afirmações de Gualazzi, o Centro Acadêmico XI de Agosto publicou em sua página do Facebook uma nota de repudio ao professor.

“O diretor em exercício da Faculdade de Direito da USP, Celso Campilongo, editou nota oficial acerca das manifestações de um dos professores sobre ditadura militar e homofobia. A nota: A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo zela pela liberdade de cátedra e expressão. Professores são livres e responsáveis pelo conteúdo de seus cursos, opções metodológicas, temáticas, ideológicas e bibliográficas. Contudo, a FDUSP repudia manifestações de discriminação, preconceito, incitação ao ódio e afronta aos Direitos Humanos. A tradição da instituição, em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, é a da promoção dos valores da igualdade e da cidadania. É dever dos docentes, em consonância com a ordem constitucional, enfrentar estereótipos de gênero, raça, cor, etnia, religião, origem, idade, situação econômica e cultural, orientação sexual e identidade de gênero (LGBT), dentre outras, jamais incentivá-los. A liberdade de cátedra e expressão não pode se traduzir em abuso e desrespeito à diversidade. O respeito a todos, maiorias ou minorias, é valor inegociável. Vozes que, eventualmente, fujam dessas diretrizes não representam o pensamento prevalecente na Faculdade de Direito e merecem veemente desaprovação. Celso Fernandes Campilongo Diretor em exercício da FDUSP.”

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