Venezuelanos com HIV
Venezuelanos com HIV

Venezuelanos com HIV recorrem a planta medicinal por falta de remédios

Venezuelanos com HIV deixaram de receber os medicamentos para o tratamento da doença à medida que a economia do país desabava. Segundo o portal de notícias R7, a hiperinflação e a falta crônica de remédios da Venezuela têm dado aos portadores de HIV pouca esperança de obterem antirretrovirais, e muitos estão recorrendo às folhas de uma árvore tropical conhecida como guasimo.

 

Sobre o tratamento alternativo

Para cada dose os pacientes usam cerca de 50 folhas da árvore, que é muito procurada por sua madeira, e batem com água no liquidificador. Depois eles coam e bebem o líquido verde. Médicos e pacientes questionam a eficiência da substância, que vem sendo usada há anos na Venezuela e no Brasil como um complemento ao tratamento farmacêutico. Mas os portadores de HIV preocupados em evitar a Aids o veem cada vez mais como melhor do que nada.

Venezuelanos com HIV
Paciente atendido em clínica venezuelana

“Não tenho nada a perder”, disse um homem soropositivo enquanto preparava e bebia a poção, pedindo para não ser identificado porque seus colegas de trabalho não estão cientes de seu diagnóstico. Ele recebeu antirretrovirais de graça do Estado durante anos, mas o fornecimento foi minguando à medida que o sistema de economia socialista do país desmoronava. Depois de cinco meses sem remédios seu médico recomendou a mistura de folhas. “Minha mente fica me dizendo ‘vou morrer, estou nesta situação porque o governo não fornece medicação'”, disse.

O Ministério da Informação não respondeu a um pedido de comentário sobre a escassez de medicamentos. Normalmente, os antirretrovirais só podem ser comprados no exterior, e um mês de tratamento custa ao menos US$ 85, equivalente a mais de R$300, quase um ano de salário mínimo. A inflação anual chegou a 1,3 milhão% em novembro.

Foto: postguam.com