Hugo Bonemer
Hugo Bonemer

Hugo Bonemer diz ter sido aconselhado a ficar no armário

O ator Hugo Bonemer, que se assumiu ao vivo em entrevista em março passado, contou ao site Notícias da TV que foi aconselhado a não sair do armário e que não sabe se fará diferença para conseguir novos trabalhos.

“Todo mundo recomendava que eu não falasse sobre isso, alguns atores, diretores… Mas, em algum momento da minha vida, passou a fazer mais sentido ter uma relação pautada na verdade. É muito dolorido manter um relacionamento escondido, chega um ponto em que é melhor nem ter mais”, disse o ator ao portal Notícias da TV.

Bonemer, que namora o ator Conrado Heltt, ator que atua também no musical Yank, que fala sobre o relacionamento de dois soldados gays em meio à Segunda Guerra Mundial, já está em cartaz há um tempo e fez sucesso como Ayrton Senna em outro musical.

“Eu sei que alguns produtores de elenco gostam do meu trabalho”, afirmou. “Mas não está claro como vai ficar o mercado para mim. Não vão deixar oficialmente de trabalhar comigo por esse motivo, mas talvez aconteça um afastamento gradativo. Ninguém vai dar o braço a torcer e falar: ‘Não vou contratar você para esse trabalho porque você é gay’.”, completa o ator.

“Estava ciente do risco quando falei sobre o assunto, mas espero também que existam produtoras que não enxerguem dessa maneira. Tudo o que eu posso é continuar fazendo o meu melhor, chegar com o texto decorado, seguir com o meu trabalho.”

Sobre papéis de homens gays, ele diz: “É, mas da mesma forma que seria só receber convites para heterossexuais. A maioria dos atores na TV fica estereotipado com personagens héteros.”

O ator também falou sobre a repercussão positiva sobre ter saído do armário: “As pessoas dizem o quanto fui importante para elas. Eu fico emocionado, porque no passado eu precisei disso. Lembro que era mais novo e encontrei uma revista em que um ator falava sobre bissexualidade.”

“Era a primeira vez que via alguém falando sobre isso, eu não tinha internet, não entendia o que eu estava sentindo. Então, eu rasguei aquela página da revista que achei na recepção do dentista e guardei comigo durante muito tempo. Eu estava angustiado e aquilo me trouxe paz, vi que não estava sozinho.”