Meninos Também Amam emociona
Meninos Também Amam emociona

Meninos Também Amam emociona público e choca com a beleza da poesia

Meninos Também Amam emociona. Não apenas pelas cenas de violência contra LGBTs que são exibidas em segundo plano, mas também pela poesia que permeia o diálogo dos atores com o público. Totalmente despidos, literalmente, os corpos dos atores falam o texto através da voz, dos olhos, dos pelos, das mãos, dos paus e dos cus expostos como confronto à toda intolerância que ignorância que os corpo LGBT precisa passar para sobreviver.

Falamos com o diretor e ator Rafael Guerche sobre a concepção do espetáculo e seu olhar sobre a importância de falar e lutar contra a violência do corpo LGBTI:

Eu falo da alma da poesia. A poesia é urgente nesse momento. O espetáculo busca o lugar de não criar UM personagem, mas de dar voz à nossa vida. Vivemos no país que mais mata LGBTIs no mundo há décadas, e por isso é urgente falar disso. E me parece que o único caminho é o diálogo.

Poesia é diálogo, poesia é manifesto, poesia é gente, poesia é vida. Em seis anos, um elenco de quase 100 pessoas passaram pelo espetáculo. E essa mudança de geração foi mudando o espetáculo. A recepção sempre se deu no lugar das diferenças entre experiências e vivências. Reunir tanta gente LGBT e encontrar espaço para resistir é mais que uma possibilidade de estar em cena, mas a chance de viver coisas humanas.

O texto é inebriante, não se consegue parar de ouvir por um segundo os gritos de “parem de nos matar” somados à visão limpa e bela dos corpos nus. O anseio por liberdade é explicito na poesia de Guerche que consegue arrancar lágrimas de quem é mero expectador. Como se fosse possível ser mero expectador.

O fato é que cada um de nós está expresso naqueles corpos vestidos de medo e insegurança, mas revestidos de resistência. Vale a pena ver, rever, ouvir, reler o espetáculo por várias vezes para interpretar as nuances e a entrega da única personagem em cena: o corpo sem valor do LGBTI.

Serviço:

SP Escola de Teatro, Praça Franklin Roosevelt, 2010, Consolação.

Sextas e sábados: 21:00 / Domingos: 19:00

Ingressos a R$ 10,00 (segundas no Pague Quanto Puder).

Bilheteria abre 1 hora antes do início

Temporada: 29 de março de 2019 à 15 de abril 2019.

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Mais informações: Lucas de Jesus – clareiarp@gmail.com – 11 97134-8257

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