pink money
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Afinal, o que é Pink Money? Uma rápida explicação sobre a polêmica da semana

A polêmica da semana envolvendo os cantores Nego do Borel e Jojo Maronttinni, que não são gays, mas pegaram carona na “onda LGBTI” trouxe à tona um terno que bombou nos trends topics: pink money.

A tradução é simples, pink money é a grana que os LGBTI gastam em consumo geral dando às marcas que investem em produtos específicos para o público. Mas além disso, existe uma questão social onde mora a polêmica do momento: quem pode fazer pink money? Qualquer artista, gay ou não, que resolva vestir a bandeira LGBTI e fingir militar pra fazer seus vídeos bombarem e lucrar com isso, está contribuindo para a representatividade da população LGBTI? A resposta é não.

O potencial de consumo da comunidade LGBTI é evidente e as marcas têm enxergado isso como uma oportunidade mercadológica. Essa grana representa mais de três trilhões de dólares ao redor do mundo em consumo que atrai cada vez mais marcas que querem se aproveitar dessa parcela da população responsável pela movimentação de 150 milhões de reais ao ano no Brasil, segundo a consultoria InSearch Tendências e Estudos de Mercado. A saber, o senso do IBGE de 2010 mostrou que casais homoafetivos possuem duas vezes mais renda que os casais heterossexuais, além de gastarem cerca de 30% mais.

Um exemplo desse aproveitamento é a marca Doritos que distribuiu uma versão especial do seu produto durante os dois últimos anos da Parada LGBTI de São Paulo, o Doritos Rainbow. Era possível adquirir a versão arco-íris do salgadinho online fazendo uma doação para a Casa 1, que acolhe e apoia jovens LGBTI que foram expulsos de casa.

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Outro exemplo é o Burger King, que já realizou ações em prol da causa LGBTI nos Estados Unidos, tomou o mesmo posicionamento no Brasil. Durante a Parada do Orgulho LGBT+ de 2017, distribuiu mais de 100 mil coroas com as cores da bandeira LGBT+ estampadas.

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Mais uma vez questionamos, isso é apoio ou oportunismo? Os mais radicais podem dizer que é tudo encenação e oportunismo, vide a polêmica envolvendo os dois últimos clipes “em prol” da população LGBTI de Nego do Borel e Jojo Maronttinni, muito mal recebidos pelo público e criticados a ponto de ambos artistas darem declarações em suas contas de redes sociais.

 

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O fato é que há marcas fazendo pinkwashing (mostram inclusão de uma maneira oportunista e não ser inclusivo), mas ainda que marcas ou artistas tentem viver de aparência, tentando mostrar um posicionamento gay-friendly, mas oportunista, o público irá perceber, o que mostra o quanto esclarecido e ativo está o movimento LGBTI.

Se uma empresa quer mostrar inclusão, ela deve começar por contratar pessoas LGBTI para seu quadro, em cargos de chefia, se qualificando e ocupando o espaço profissional de forma igualitária. No caso dos artistas, todo cuidado é pouco para não fazer transface (como Nego do Borel fez) nem discurso como pedido de desculpas como fez Jojo no clipe “arrasou viado”, mas já xingou pessoas em sua conta do Twitter os chamando de “viadinho”.

A diversidade e a inclusão são temas importantes, mas devem ser planejados com cuidado para que pessoas não-LGBTI não protagonizem nosso espaço. Não podemos nos reprimir por ataques de ódio, bem como não podemos deixar que as marcas abandonem esse posicionamento quando o interesse for legítimo.

 

O que você acha sobre artistas não-LGBTI levantarem a bandeira do arco-íris?